domingo, 15 de julho de 2018



simples assim...

A relação mais importante que alguma vez teremos é aquela que temos connosco. O modo como nos amamos e o modo como nos tratamos é o modo como ensinamos os outros a tratar-nos e a amar-nos. 

O amor próprio não é egoísmo, na medida em que ninguém pode dar de um copo vazio. Quando não investimos em nós sobra muito pouco para partilharmos com o próximo.


Always remember

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Cerdeira

Houve alturas em que a estrada que nos levava à Cerdeira era íngreme, de terra batida e de difícil acesso. Hoje em dia está alcatroada, tem rails com aberturas para os veados passarem e este fim-de-semana, por duas vezes, os vi a saltar e a atravessar a estrada ali mesmo, à nossa frente.


Inserida no coração da Serra da Lousã, a aldeia da Cerdeira distingue-se pela sua beleza natural. A aldeia é linda, no meio de um imenso verde, com as suas casinhas de xisto recuperadas e as suas ruelas estreitas. Até chegarmos ao coração da aldeia, passamos por uma casa de convívio, uma capela, uma ribeira e um tanque onde os miúdos (e não só!) mergulham mal chega o calor.

O fim-de-semana em que fomos não estava, no entanto, especialmente quente. Muito pelo contrário. Esteve quase sempre encoberto, com um sol muito tímido e que quase sempre se fechava a partir das 17h, ficando a aldeia encoberta por um místico nevoeiro até de manhã. Quando chegámos à casinha que alugámos (Casa das Estórias) foi-nos entregue um cestinho com lenha e, apesar de estarmos no verão (?), ligar a salamandra no final de cada dia acabou por se tornar num ritual que a par com o isolamento da aldeia, a sua beleza natural e o silêncio envolvente, se conjugaram para nos proporcionar excelentes momentos de reflexão e descanso (no fundo tudo o que estávamos a precisar depois do que vivemos nos últimos tempos).

Não sei quanto tempo durarão estas aldeias nem por quanto tempo se manterão certas tradições deste Portugal interior, mas sei que é importante ir e mostrar às nossas crianças como se vive ali, como se criam as coisas, como se cultiva a terra, como se vive assim, no meio do nada, com muito menos do que é expectável e, no entanto, com tudo o que é essencial. É um património vivo este que podemos mostrar aos nossos filhos, um património que vai além da cultura e da paisagem, um património humano. Do mais genuíno que existe. 










domingo, 1 de julho de 2018


Feliz por dar por terminada esta última semana. Ansiar pela próxima e desejar que seja tranquila, de descanso e paz.


Matt Cherubino | @mattcherub




domingo, 24 de junho de 2018

os meus finalistas ...

Quando se quer muito uma coisa, ela não acaba quando os outros querem. Acaba quando conseguimos!

Queridos alunos

Um dia vão perceber que estão a ser postos à prova. Que as pessoas gostam de escalas, de níveis, de notas, de prémios. Que vão adorar transformar-vos num número e pregar-vos uma pontuação. Meter-vos num pódio ou deixar-vos fora dele. Nunca liguem.
Dêem o vosso melhor e sejam curiosos. Nunca se deixem definir por uma pauta daquilo que se julga que é o correto. Nunca se julguem melhores ou piores por uma equivalência alheia. Não se acanhem perante uma avaliação externa de quem não conhece o valor do vosso espírito e coragem.
Tenham paixão por aprender, ponham brio no que fazem, mas nunca o façam apenas por e para uma nota. Porque essa nota (seja ela qual for) nunca vai ser a verdadeira prova do que valem. Essa nota nunca vai refletir o sabor do percurso. Nunca vai traduzir o vosso valor ou o vosso talento.
Essa nota não vos define. Nem para o bem, nem para o mal. Porque nenhuma prova, nenhuma nota, nenhum número numa pauta traduzirá alguma vez o que a vossa alma é, o que a vossa cabeça sabe, o que o vosso coração palpita e a grandiosidade do que são. Será sempre e apenas isso ... um valor numa pauta.
Por isso amanhã vão com a tranquilidade e o espírito de união que tão bem vos caracterizou nestas últimas semanas, mostrem com alegria a força do vosso empenho e, orgulhosos pelo caminho já feito, dêem tudo o que têm. Acreditem que isso, só por si, já é o vosso melhor prémio.


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Quando um filho fica doente

Quando um filho fica doente nós diminuímos de tamanho. Ficamos pequenos e impotentes. Sentimos o coração encolher. Ficamos sem chão e é como se a vida perdesse de repente o seu sentido e o seu significado e tudo à nossa volta ficasse escuro e sem luz.

As últimas semanas têm sido difíceis ... muito trabalho com os exames de 9º ano e 12º, toda a preocupação com uma filha doente e horários de terapia difíceis de conciliar com os nossos horários de trabalho, uma virose que também me levou à cama e me obrigou a parar numa altura tão difícil e um filho finalista que também precisava da sua atenção nesta fase final e importante do seu percurso escolar. Tem sido uma longa caminhada com muita fisioterapia, especialistas, exames médicos e uma menina de 13 anos que tem sido extraordinária com uma postura tranquila e serena perante tantas adversidades. Tem sido uma valente esta minha filha e uma lutadora cheia de força, sem desanimar, sem reclamar das horas e horas de fisioterapia e das idas ao hospital.

Ainda estamos longe do fim mas cada dia é vivido com a esperança de que estamos cada vez mais perto do final feliz.



Ellie Morris | @elliemdesign


terça-feira, 29 de maio de 2018

Para ler (e reter) com atenção

Quando temos um blog há 6 anos e um dia decidimos torná-lo público significa que em tudo o que somos, sentimos e escrevemos não há nada que não possa ser partilhado com todos. Escrevo porque gosto e partilho porque posso. Porque não preciso de esconder nada e porque sou verdadeiramente livre de dizer o que quero e penso. Não tenho preocupações sobre o que vão pensar de mim, cheguei onde estou por mérito próprio e, por isso, sou livre de pensar pela minha própria cabeça sem ter que me vergar às opiniões alheias. 
Quando escrevo não pretendo mandar recados a ninguém, os meus textos não são "indiretas" nem mensagens camufladas. No entanto, não deixa de ser curioso saber que tanta, mas tanta gente que me conhece pessoalmente também me lê e não comenta o que leu, nem sequer que viu ou sabe que o blog que segue é meu... vivem no "faz-de-conta-que-não-li-e-não-sei-que-ela-tem-um-blog!". Claro que, muitas vezes, não se contêm e lá vem uma mensagem (assim como quem não quer nada mas já querendo alguma coisa) com umas indiretas sobre algo que escrevi e que, sabe-se lá porquê sentiram que era para si ou se sentiram, de algum modo, melindradas. Mas tudo assim muito discretamente. Tudo muito do género "eu-não-li-nada-do-que-escreves-porque-eu-até-faço-de-conta-que-não-sei-que-tens-um-blog-mas-fica-aqui-o-meu-comentário-INOCENTE-sobre-algo-que-escreveste!"
É cómico e triste ao mesmo tempo. Chega até a ser patético, que o mal estar e incómodo das pessoas (podemos dizer inveja???) às vezes se revele dos modos mais estranhos e as impeça de ser agradáveis com os outros. É sempre preferível ignorar e assobiar para o lado. Não seria mais "normal" dizer "eu vi o que escreveste" ou "eu sigo o teu blog" do que andarem por aí, às escondidas, como se andassem a "bisbilhotar" a minha vida sem que eu soubesse que me lêem diariamente?? 
Primeiro porque eu sei (há tantos modos de saber quem nos segue e nos lê...) e depois porque não há nada de mal em ler, em seguir, em saber o que escrevo ... porque sou eu que partilho, e se eu partilho é porque posso... é porque não há aqui nada que não se possa ler ou saber. Isto não é um diário secreto cheio de segredos, é apenas um blog igual a tantos milhares de outros blogs. Não há, por isso, necessidade de incómodos, de constrangimentos, de "fazer-de-conta" que não sabem da existência dele se depois vão comentá-lo uns com ou outros. Podem ler. Podem comentar. Podem partilhar. A sério... é para isso que os blogs existem. (Fica a dica...)




sábado, 12 de maio de 2018

Ainda sobre os nossos dias em Setúbal - Cais Palafítico da Carrasqueira





 





Junto à aldeia piscatória da Carrasqueira a arte popular levou à construção do Cais Palafítico. Nas margens do Sado, que banham a Carrasqueira, nem sempre foi fácil chegar às embarcações, por isso, ergueu-se há quase 200 anos um cais em madeira, entre as margens baixas e lamacentas. O Cais Palafítico está construído em ziguezage, sobre a água, com uma grande área para atracar as embarcações e um passadiço para circular. 

Se não conhecem não deixem de ir até lá ... garanto que, ao pôr do sol, é ainda mais extraordinário 

terça-feira, 8 de maio de 2018

*Setúbal









A par com o mar do meu querido sul, que tanto gosto e que registo todos os Verões aqui, este mar azul da Arrábida. 
Num destes fins-de-semana com feriados pelo meio voltámos ali e fomos redescobrir Setúbal. Quem não conhece arrisque uma escapadinha de 3 dias e vá, sem medo à descoberta deste pedaço de Portugal. Há muito para ver e sítios bonitos para sentar e beber um Moscatel de Setúbal (experimentem o roxo na Casa da Baía ou aqui), muito verde para respirar e as bonitas praias recortadas pela serra da Arrábida: Figueirinha, Galapos e Galapinhos e a lindíssima praia dos Coelhos. Volte as vezes que voltar nunca deixo de me sentir encantada com todo aquele azul em perfeita sintonia com o verde daquele mar. O primeiro impacto é sempre esse. Quem nunca esteve, chega e encanta-se e quem volta torna a encantar-se e a apaixonar-se como da primeira vez... depois suba a serra e vá até ao Portinho da Arrábida, veja o pôr do sol e jante no Farol (o espaço é muito simples, o peixe muito fresco e a vista faz o resto). Não seria justa se, em termos de restauração, não mencionasse o meu lugar preferido da cidade para almoçar ou jantar - o Miguel - (com o melhor peixe e choco frito da cidade, um marisco irrepreensível e um atendimento ímpar). Volto sempre. Por muitos motivos. O maior deles é a honestidade de tudo o que ali se come. Passeie pelo Jardim da Beira Mar e depois vá  até ao Forte de S. Filipe e beba um café na esplanada com melhor vista sobre a Baía do Sado.
Ou então vá até à Doca de Recreios das Fontainhas localizada na zona oeste da cidade e que alberga também o cais dos ferries que fazem o transporte para península de Tróia e vá em descoberta de uma das principais maravilhas de Portugal. Os ferries podem transportar passageiros (com bicicletas) e automóveis e a viagem demora cerca de 30 minutos (os bilhetes compram-se junto ao embarque). 

As coisas boas e os melhores locais só ganham valor se os partilharmos ... as experiências... essas o melhor é ir e vivê-las. Deixo as fotos. Valem por si.
   

* (sobre voltar sempre aos lugares onde somos felizes)




sexta-feira, 27 de abril de 2018

Sobre arrependimentos ...

Quem, na vida, nunca se arrependeu de nada? Quem, podendo, não voltaria atrás e faria tudo (ou muita coisa) diferente? Quem nunca disse algo que preferia não ter dito, ou teve uma atitude da qual se arrepende e que se pudesse voltar lá atrás não teria tido?
Não compreendo quando oiço algumas pessoas dizerem: "não me arrependo de nada!" ou "se pudesse voltar atrás faria tudo, tudo igual... sem mudar uma vírgula!"

Será que acreditam realmente no que dizem? Será que, realmente, nunca disseram nada de que se arrependam? Será que nunca disseram algo que melindrou ou magoou alguém? Será que nunca cometeram um erro, uma falha ou será que nunca terão feito uma escolha que, na altura embora lhes parecesse correta, hoje se pudessem teriam escolhido o oposto?
Eu acho que há uma diferença enorme entre fazer algo que não gostaríamos de ter feito mas que teve mesmo que ser feito e fazer algo que, se pudesse voltar atrás, não teria feito porque fiz mal, errei ou na prática, e a longo prazo, verifiquei que nada me acrescentou de bom e que estava errada. O "não me arrependo de nada", não existe... O que existe é o modo como eu lido e vou gerindo as minhas falhas, os meus dias menos bons, os meus erros. O que conta, no balanço desta equação, é o modo como aceito que, muitas vezes dadas as circunstâncias, eu errei, mas que não poderia ter feito melhor e aceitar isso. Perdoar-me por isso. E seguir em frente. Com arrependimento, é certo, mas consciente das minhas limitações em certas situações. 

Por isso não acredito em pessoas "nunca me arrependo de nada" ou em pessoas "não mudava uma vírgula a nada do que já fiz ou disse!", porque isso seria acreditar em pessoas sem falhas, com vidas perfeitas, que nunca magoaram ninguém, que nunca foram injustas, que nunca julgaram ninguém (mesmo sem querer...), que nunca erraram! E eu não acredito nisso porque isso, simplesmente, não existe. 

O que existe, isso sim, são pessoas "faz de conta" a viverem vidas "faz de conta que..."; Pessoas que preferem enfiar a cabeça na areia e "fingir" que estão a viver muito acima dos outros, com existências tão plenas e profundas de significado que nunca, na sua vida inteira, poderiam arrepender-se do que seja.





sábado, 14 de abril de 2018

sobre ti *

O melhor do amor não é a conquista da intimidade. Não é o conhecimento do corpo de quem está connosco, a confiança, a amizade ou a possibilidade de falarmos através do silêncio. Não é a grandeza de perdoar sem ficar qualquer ferida. Não é sequer a convicção de que será mesmo para sempre. O melhor do amor é partilhar o que nos toca, lermos as passagens do que nos emociona, passearmos, cheirarmos o cheiros, vermos os filmes, peças de teatro, séries de televisão, chorarmos as lágrimas, termos sonhos, sabermos que não há rigorosamente ninguém com quem gostássemos mais de almoçar, conversar, dormir, estar. O melhor do amor é a certeza de que alguém nos salvará da loucura de nos transformarmos num eco.
Luís Osório, in "Amor


* meu amor maior

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Sobre hoje ( e para todos os dias)


Ser como a raiz desta árvore e não esquecer as vezes que tive de perfurar o cimento para sobreviver de pé. 

Continuar a repetir para mim mesma todos os dias: não quero ter mais, quero ser mais.



quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sobre ti *

As jornadas não se conquistam todas de uma vez. E quando chegares ao fim de um caminho, outro se apresentará mais à frente. É preciso estar atento, ter coragem para enfrentar o desconhecido e nunca (nunca, nunca) deixar de caminhar! Todos os caminhos são diferentes minha #mariacatita mas, e por isso mesmo, ao caminhares é importante que nunca deixes de cuidar de tudo aquilo que é (verdadeira e absolutamente) essencial. Que não te poupes em tudo o que mereces, que não deixes por mãos alheias tudo o que é teu de direito e que te recordes - sempre - que a vida só se dá a quem também se sabe dar ♥️ Lembra-te "Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma só e simples estrela, nem por isso me sinto dispensado de percorrer todos os caminhos do mundo." José Saramago


Sobre a semana passada

Esta foi uma semana de largar um bocadinho as redes sociais, de abandonar os telemóveis, de conversar (ainda) mais, de partilhar tudo, de dividir tarefas, de aprender e testar limites e caminhar em comunhão com a Natureza. 

No Caminho cada dia tem a sua rotina e é sempre preciso planear a etapa seguinte e ajustar alguns pormenores. Cada um é responsável pela sua mochila, por deixar tudo limpo e arrumado e transportar tudo o que é seu. Aqui, cada um tem o seu lugar e não deve invadir o espaço alheio. Caminharmos juntos tem muito sobre respeitar silêncios, ritmos de caminhada e estados de humor. Caminhamos juntos mas somos seres individuais, e é esse respeito pela nossa individualidade que torna o grupo unido e coeso, disponível para ajudar o outro. Somos companheiros de viagem e embarcámos juntos nesta grande aventura.