segunda-feira, 16 de outubro de 2017

(Re)Inícios

Com o outono os dias começam a ter outra claridade e exigem uma nova definição de prioridades e uma outra reorganização do tempo. 
Com o outono há mudanças que têm (e devem) ser feitas e há, da minha parte, uma necessidade enorme de fazer planos e começar coisas novas. Não sou como a maioria das pessoas que faz resoluções de ano novo no 31 de dezembro. Para mim, o ano novo começa no outono e renova-se na primavera. Com sentidos e timings diferentes é certo, mas com o mesmo objetivo: recomeçar. Se na primavera planto no outono recolho e planeio. Se na primavera sou mais livre e impulsiva é no outono que me recolho e analiso, que sou mais reservada e introvertida, circunspecta até. 
Este ano, talvez porque o sol e o verão ficaram connosco até mais tarde, houve uma resistência da minha parte para dar início a todas as rotinas que compõem o meu "recomeço" de ano e uma vontade imensa para prolongar o cheiro a mar e a areia nos pés. Acho que só este fim-de-semana percebi que a apatia e a melancolia que trazia comigo nos últimos tempos se devia exatamente a isto: à ausência das minhas rotinas e de tempo para mim. Por isso esta semana, apesar de o sol ainda nos recordar que foi verão até há bem pouco tempo, está na altura de deixar de lado as toalhas de praia e o protetor solar e dar início a todas as coisas que gosto de fazer nesta altura do ano e que me estão a fazer falta. 
É tempo de voltar às minhas rotinas matinais, acordar antes da casa toda, ter tempo para ir correr de manhã, para levar o Artur a passear, para ler e também para andar com este mestrado para a frente.

Vou na boleia do outono. 

Bom dia. Boa semana e bons recomeços.  


Malin Poppy Darcy | @poppyloveyou






sábado, 14 de outubro de 2017

Terminar a semana a respirar fundo. Agradecer aos que são o meu chão, aos que me dão colo e abraços apertados e a todos os que me ajudam a erguer em momentos difíceis. E a esses, e só para esses, repito baixinho "Obrigada"

by admin | Jun 15, 2015 | Best Friend Quotes , friendship quotes , Inspirational quotes , love quotes , quotations | Here are some heart touching Quotes for your Best Best Friends , Remember to ...

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Regressar. Devagarinho.

Passou muito tempo desde a última vez que aqui escrevi. Agradeço cada mensagem que me enviam para saber de mim, cada visita ao blog para saber se voltei a escrever e agradeço ainda todas as palavras simpáticas que recebo. 

Prometo voltar. Devagarinho.



segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Eu fui ao ACANAC e sobrevivi às sandes de atum (e a outras coisas mais…)

Recentemente o nosso país foi palco do maior acampamento nacional - o ACANAC que reuniu quase 22 000 escuteiros.
Porque considero o Escutismo um pilar fundamental para a auto-educação da cidadania responsável e participada pensei ser relevante ter no nosso CADERNO DIÁRIO o testemunho de um escuteiro que tenha estado presente neste acampamento.

Fiz o convite a um escuteiro e ele, depois de ter pensado bem sobre o meu convite, aceitou e decidiu escrever e dar-nos o seu contributo e a sua visão sobre o modo como viveu estes dias e a importância deste ACANAC na sua vida de escuteiro.
Chama-se António Miguel Braçais C. ,tem 15 anos, é pioneiro do Agrupamento 1167, Arrabal e é meu filho

Eu fui ao ACANAC e sobrevivi às sandes de atum (e a outras coisas mais…) 
"Para quem não sabe o que é o ACANAC este é o Acampamento Nacional de Escuteiros, que ocorre na Idanha-a-Nova, no verão, de 4 em 4 anos. Este acampamento, que acaba por juntar também escuteiros de outros países, teve a sua 1ª edição em 1926  realizou-se em Aljubarrota e durou 9 dias!! 

O ACANAC deste ano foi o 23º e mobilizou escuteiros de Portugal e de mais 9 países, nomeadamente a Nigéria e Israel, teve como lema o “Abraça o Futuro” e procurou alertar e ativar as nossas consciências para a defesa da “casa comum”. A sua finalidade é aquilo que move todo o movimento escutista “deixar o mundo um pouco melhor” do que aquilo que encontrámos. 

Depois de voltar do ACANAC e de ter colocado o sono em dia, de matar saudades da minha família (e da comida da minha mãe, algo fundamental para mim e para a minha sobrevivência ), foi inevitável fazer um balanço destes dias e refletir sobre esta mega atividade.

Tal como outros escuteiros com quem falei uns dias antes de partir também eu levava grandes expetativas relativamente a este acampamento. Em parte, por tudo o que já ouvira e lera sobre os anteriores e, por outro lado, pelo clima que se ia vivendo durante os preparativos tanto no meu Agrupamento como em casa. No entanto tenho que confessar que por muitas expetativas que levasse e por muito que achasse que ia viver uma grande semana, nada me preparou para o que vivi e, as expetativas, foram totalmente superadas e ultrapassadas. Foi muito melhor e maior do que aquilo que eu podia imaginar. Claro que não foi tudo bom, mas mesmo os momentos mais complicados e difíceis de gerir acabaram por ser positivos pois ensinaram-me muito. De facto, viver 7 dias em comunidade, sujeitos a condições tão adversas como o calor, o sono, pó por todo o lado, a falta da nossa família e das nossas coisas e o cansaço físico que se ia acumulando ao longo dos dias, acaba por se tornar numa verdadeira escola pelo muito que nos ensina e também pelo modo como testa os nossos limites. É preciso ter calma muitas vezes e respirar fundo outras tantas de modo a evitar que o cansaço acumulado interfira nos nossos julgamentos e nas nossas atitudes, tarefa essa nada, mas nada fácil. Continuo a achar que é a tolerância para com o nosso semelhante que é a chave para vivermos bem não só em comunidade como, obviamente, em sociedade.
A minha mãe contou-me que há mais de 40 anos que nenhum presidente da República vinha a um acampamento nosso e logo este ano tivemos a presença do Prof Marcelo Rebelo de Sousa o que acaba por ser uma grande (e justa) homenagem ao escutismo católico em Portugal e a prova de que o nosso movimento tem muita força e um grande valor: já somos perto de 72000 escuteiros em Portugal (e mais de 30 milhões de espalhados pelo mundo inteiro). E porque este ACANAC foi feito de momentos inovadores, soube também antes de partir para o acampamento que aqui o nosso Santuário de Fátima ia enviar (pela primeira vez) a imagem peregrina da Nossa Senhora ao nosso campo e que esta ia ficar permanentemente na nova capela do CNAE. E estes foram apenas alguns momentos que, pelo seu simbolismo, marcaram de forma única este ACANAC e o tornaram logo à partida tão diferente dos anteriores. Se juntarmos a isto o facto de este ter sido o maior acampamento nacional (até agora) por ter conseguido juntar em campo 21 500 escuteiros, trazido por cerca de 400 autocarros e distribuídos por mais de 4000 tendas, num campo com 2 restaurantes, 2 supermercados e uma arena com capacidade para 25 000 pessoas, então já da para termos alguma noção do valor deste ACANAC 2017. 
Ao longo de 7 dias fizemos raides, atividades náuticas, workshops e desportos radicais, cimentámos a nossa formação e trabalhámos juntos pela mesma causa e em torno do mesmo ideal. Ao longo da semana vi entreajuda, vi partilha e vi muita cumplicidade. Surpreendi-me com muitas pessoas, estive em comunidade com um grupo fantástico e cuja amizade quero fortalecer e guardar para sempre. Pelo campo vi construções impressionantes, troquei ideias e vivências e vivi realidades muito diferentes da minha. Foram dias onde todos aprendemos um pouco mais, onde crescemos como pessoas e como escuteiros e tentámos sempre dar o melhor de nós. À noite, quando nos juntávamos na Arena, o que mais me impressionava era olhar para aquela multidão e pensar: “Wow ...Somos tantos!! E eu estou aqui também e faço parte disto tudo!!”. Acho que nem consigo colocar em palavras o que se sente naquele momento quando olhamos à nossa volta e vimos quase 22 000 pessoas a cantar o Hino do ACANAC, a agitar os lenços, a gritar e a viver o mesmo ideal e a fazer parte de algo assim tão grande. Como na última noite, quando dissemos adeus ao campo e aos amigos que fizemos, ao som dos D.A.M.A.: toda aquela energia e toda aquela alegria que ali se viveu é-me impossível de explicar e quantificar. 
Para mim, a maior lição deste acampamento e talvez a mais importante que tirei foi o facto de perceber que todos os caminhos e todos os trilhos que percorremos são muito mais do que apenas esgotamento físico. Caminhar pode trazer-nos dores, cansaço e até vontade de desistir, mas é esse caminho também que nos põe à prova, que testa a nossa força e a nossa resistência e que nos ensina a continuar sem desistir. Ao longo dos raides, aprendemos que em comunidade não podemos agir como se fôssemos “muitos” - tipo cada um por si, mas que temos que agir como se fôssemos “um só” e que cada um de nós é um braço e uma perna importante na sua equipa, que não há ninguém mais nem melhor, que não há ninguém que não faça falta. Todos temos o nosso lugar e todos temos qualidades e defeitos e, por isso, temos que nos apoiar, compreender e ajudar. A nossa equipa é a nossa família e é com ela que podemos contar. A nossa equipa é feita de todos aqueles que estão lá para nós, que nos sabem dar a mão, que nos aceitam como somos, sem críticas e nos ajudam a seguir em frente no nosso caminho. E deste acampamento guardo a ideia de que o nosso caminho não termina no fim de um raid, mas continua para lá dele; porque as marcas físicas podem apagar-se com o tempo, mas um raid deixará sempre outras marcas que lhe sobrevivem e que nunca sairão de nós: a força para lutarmos pelo que queremos, a resistência que criamos para não desistir dos nossos objetivos, o apoio e a ajuda da nossa equipa e a amizade que criamos nos momentos mais difíceis. Estas são as marcas que moldam a nossa personalidade e as nossas vivências enquanto escuteiros e enquanto pessoas e que nunca se apagam. Nem no fim de um loooooongo raid. 
O Chefe Manuel Augusto, Chefe do Acampamento do ACANAC, disse que viver uma experiência como esta deixava marcas profundas em nós e que nos levava a querer ficar mais tempo nos escuteiros e, depois deste ACANAC, só posso dizer que ele tem muita, mas muita razão.
À minha família, aos meus Chefes, à minha equipa e à minha comunidade neste ACANAC 2017, OBRIGADO por terem contribuído para uma das melhores semanas da minha vida. 



António Miguel Braçais C."





quarta-feira, 9 de agosto de 2017

(A) GOSTO 9


"O que incomoda muita gente é a possibilidade de reconstrução que cada um de nós tem. A maior vitória que podemos dar a nós mesmos é a perseverança, o progresso. As versões actuais são melhores que as anteriores. É isso que realmente incomoda essas pessoas destrutivas: olharem ao longe, enquanto nos reconstruímos, mais e melhores, imunes à sua existência. Lambemos e curamos as feridas, mas não as esquecemos. Usamo-las, como se fossem uma armadura que nos protege das maldades do passado. E guardamos em nós essa verdade, que por vezes ainda pode doer: as pessoas que nos destroem, nunca serão as mesmas que nos constroem."

PedRodrigues





terça-feira, 11 de julho de 2017

🖤 *Às vezes sinto que a vida nos exige demais


Aos poucos vimos as pessoas que gostamos tentar voltar à vida ... acolher a realidade ... aprender a viver estes novos dias. Admiro-os à distância. Aos poucos vejo-os tentar recolher os pedaços que sobraram das suas vidas e pergunto-me onde arranjarão forças ... como separarão o dia da noite a partir daqui? Como distinguirão o início do fim, se ao verem partir quem mais amam a vida ficou sem sentido e os dias todos lhes parecerão iguais? 


Olho-os em silêncio. Sento-me no sofá da sala e observo-os. Com imenso respeito. É tão digna a dor quando nos fala de amor. É tão intensa a dor quando o adeus é para sempre.
*[Às vezes sinto que a vida nos exige demais]












sábado, 8 de julho de 2017

RIP

Tinha tudo para ser  um dia bonito. Rumámos até Lisboa depois da Reunião de Escuteiros dos miúdos e tudo indicava que seria (apesar do céu cinzento) um fim-de-semana feliz. A esta hora da manhã era só esse o nosso "problema" e a razão do nosso descontentamento - o cinzento do céu!! 

Não imaginávamos nós, a esta altura, que o acidente que cortara a estrada perto do vosso Agrupamento logo cedo roubara a vida de alguém que nos era querido, um escuteiro como vocês, um menino, 20 anos apenas... 
De repente tudo mudou. O sábado parou. O dia ficou triste e sem sentido. o sol que veio por fim não teve por nós autorização para brilhar... 

Não imagino a dor destes pais. Nenhum pai nem nenhuma mãe deviam ter que assistir à partida de um filho. Devia ser proibido por lei que qualquer pai ou mãe tivesse que passar por isto.

Eras um bom escuteiro e um grande miúdo. Dos melhores. 








quarta-feira, 5 de julho de 2017

* viciada






Espreito pela janela e o dia está feio... não parece verão. De alguma maneira o tempo parece estar solidário comigo e se não posso ir à praia pelo menos o sol não aparece para me fazer inveja.

Viciada nesta música boa. Melhor companhia enquanto se orientam os trabalhos para a faculdade.

Bom Dia





terça-feira, 4 de julho de 2017

CUMPRIMENTE A TODOS, CONFIE EM POUCOS E NÃO DEPENDA DE NINGUÉM


"Quem de nós nunca foi completamente ignorado ao passar rente a um colega, a um conhecido, a alguém que já conversou conosco, já passou um tempo na nossa companhia e, portanto, já sabe o nosso nome? Não dá para entender por que certas pessoas fingem que não conhecem os outros, se é insegurança, medo sabe-se lá de quê, problema de visão, distração excessiva, ou pura e simplesmente soberba gratuita mesmo. Sentem-se superiores ou inferiores, afinal? Vai entender…"
Infelizmente acontece muito. Pessoas que sem mais nem menos passam a tratar-nos com indiferença sem que se entenda porquê ou que só nos falam em "determinadas" circunstâncias  )
normalmente essas pessoas são frágeis, carentes, pobres de coração e princípios e com muito baixa auto-estima... quando isso acontece lamento muito .... mas lamento mais por elas que por mim!! 

(ler o artigo completo aqui)


sábado, 1 de julho de 2017

*esta música









O sol lá fora brilhou pouco mas foi o suficiente para sair de casa por uns instantes e fazer uma caminhada boa para arejar ideias. 



*esta música e uma tarde de organização de trabalhos para o mestrado.


Bom dia Julho *




sexta-feira, 30 de junho de 2017

Quem somos nós?

Nos últimos dias tenho andado às voltas com uma pergunta que li num daqueles livros de Coaching que agora muito se vendem por aí. 
A pergunta, aparentemente inocente e simples, "quem é você?" tem, na verdade, muito pouco de inocente. Parece fácil não é? mas esqueçamos as respostas óbvias, as respostas evidentes, as respostas que qualquer pessoa, que não nós mesmos, poderia dar sobre quem somos... o nosso nome, a idade, o estado civil, quantos filhos temos e o que fazemos. Esqueçamos o óbvio... tentemos ir um pouco mais longe, um pouco para lá daquilo que os olhos e todos os outros vêem. Quem somos realmente nós? "Quem sou eu", na verdade, para lá daquilo que o espelho me devolve todos os dias? Quem sou eu do outro lado do espelho?

"Sou a única pessoa no mundo, que eu realmente queria conhecer bem" terá dito Oscar Wilde.

E se lhe perguntassem hoje: "quem é você?" Qual seria a sua resposta? 






domingo, 28 de maio de 2017

16022 dias, 2288 semanas e 4 dias vividos





"Gosto da companhia que me ofereço. Do silencio da minha respiração. Do espaço para ser. Do vazio da boa solidão. Gosto de não agendas. De zero estranhos. De privacidade total. Quem me é íntimo sabe que passo horas a observar o sol se pôr. Que admiro diariamente as abelhas e que não há nenhuma decisão que não seja a natureza que me inspire.
Mas, nem sempre foi assim. Haviam dias em que a solidão me matava por dentro. Eu temia os meus fantasmas. Não suportava as vozes dentro e era incapaz de estar sozinha. Arranjava sempre mais uma actividade. Mais um passeio. Mais uma visita. Não tinha um único “buraco na agenda” e achava que era feliz assim. Até cair com esgotamento e perceber, que não. O excesso de trabalho é uma fuga. Uma privação inconsciente da capacidade de ser. Um bloqueio maior do que se imagina. E uma aspereza de espírito que não se reconhece até se amar o que se é por dentro. A superação compensa. Passar pela dor transforma. A profundidade acalma. A paz reina em quem aprende a estar sozinho, feliz."

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sobre mim ...

«Não sei onde me nasce tanta vontade e tanta dedicação. Não sei de onde me nasce este pulso firme pelo que acredito. Não sei de onde me nasce este ímpeto de me dar ao mundo. (…)
Não é que ache a minha presença extraordinária. Mas se há coisa que precisamos de aprender é a olhar para o nosso brilho e reconhecer o caminho percorrido. Bater palmas à nossa coragem e seguir por aí de peito cheio. Não de arrogância. Mas de amor por quem somos. Por quem nos tornámos. Sabendo que podemos: ser quem queiramos.
Acredito nisto com tanta força, que não me queixo do que de mau vivo à minha volta. Dirijo toda a minha energia para investir no mundo em que quero viver. Até conseguir.»








terça-feira, 16 de maio de 2017

Sobre este e outros dias ...

Nem sempre arranco a semana com o mesmo espírito e força de vontade (mas tento!). Nem sempre temos colegas de trabalho (ou estudo) cordiais e sensatos. Nem sempre os dias são fáceis de respirar. Há pessoas que gostam de complicar, que fazem do simples ato de aprender uma luta de interesses, um "tudo ou nada"... Na verdade, passem os anos que passarem continuamos a assistir à competição desenfreada, à crítica fácil, ao preconceito infundado... Continuamos a ter as prioridades mal definidas e os valores que norteiam as relações (ou deviam nortear) ainda não estão assentes naquilo que mais importa. Não é o que os outros nos podem dar que importa nem são as "vantagens" que "certas" amizades nos podem trazer que interessam... o que interessa realmente é o que posso eu dar de mim aos outros, o que posso eu fazer hoje para ser mais feliz e de que modo posso contribuir para tornar o contacto dos outros comigo mais agradável e alegre. Em dias não fáceis valem-me os meus alunos, os seus sorrisos e os seus abraços e a sua visão feliz, e desempoeirada, da vida.




segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ainda sobre o último fim-de-semana


Garantiram a nossa segurança e foram de um profissionalismo e de uma simpatia ímpares. Momentos como estes foram uma constante...






F a m i l y

O meu lugar mais seguro, o meu porto de abrigo, os que me conhecem por dentro e por fora, os que estão lá, sempre, os que me amparam e dão a mão, a força invisível que me segura e não deixa cair. 

Somos poucos. Somos mesmo muito poucos. Mas somos grandes na alma e no coração. 


13 de maio


Este fim de semana foi, como para todos os portugueses, épico. Não me refiro só ao Benfica nem ao nosso Salvador Sobral (que nos encheu o peito de orgulho) mas também à visita do Papa Francisco e do que significou para nós, que moramos em Fátima, ter os 2 santos mais novos da história no altar da nossa Basílica. Por aqui a excitação começou dia 12. Como em todos os dias 12 não houve aulas e então, em conjunto, decorámos varandas, recolhemos flores e assistimos da nossa janela aos grupos que iam chegando a Fátima. Visivelmente cansados, mas com uma força que só quem é peregrino entende de onde vem, cantam e rezam à Virgem "mais brilhante que o sol". Alguns batem palmas por terem conseguido chegar, outros choram e abraçam-se e eu comovo-me sempre. Sempre. Depois das varandas decoradas fomos para a rua, para o meio da multidão, para podermos guardar lugar e sentir de perto todas estas emoções. Ali, na nossa rua, passaria Francisco e eu, que nunca tinha visto um Papa ao vivo, parecia uma criança aos pulinhos, excitada e indecisa sobre qual seria o melhor lugar para o ver de perto. Durante 3h ali fiquei com o meu filho mais velho, colados às grades que nos separavam da estrada. Ficaríamos outras tantas horas se fosse preciso. Valeu a pena. Valeu tanto a pena. Com toda a serenidade, de sorriso nos lábios, acenando a todos nós com alegria (apesar do cansaço da viagem e da idade) este Francisco cativou todos os que ali estavam só para o ver de perto e acenar. Dali seguiu para a Capelinha das Aparições onde o aguardavam milhares de fiéis e 150 crianças dos nossos colégios. Rezaram juntos. Respeitaram o silêncio que pautou o diálogo entre Francisco e a Mãe de Deus e, no fim, puderam abraçar carinhosamente o Papa que há tanto aguardavam. "Nunca mais vou esquecer este dia" dizia a minha filha. Foram momentos tão bonitos quando ele se aproximou deles e foi invadido por tantas mãos pequeninas e por tantos abraços. O que gosto mais nele (para além de tudo o que já me fazia admirá-lo) é a simplicidade com que se aproxima dos mais pequeninos. O olhar dele ilumina-se,fica feliz, deixa-se tocar e abraçar. Francisco olha cada um deles com imensa ternura. Olha-os nos olhos e sorri porque reconhece neles e na pureza dos seus corações um pedacinho do céu. Nessa noite assisti, com os meus filhos, à procissão das velas mais bonita de todas. Milhares de luzinhas, de lágrimas, de sorrisos, de pedidos, de agradecimentos iluminaram esta noite. Não consigo traduzir o que senti e o que ainda sinto. Não há palavras. O amor é uma equação com variáveis infinitas. Não há uma maneira certa de o escrever nem de o dizer. Vagueei pelo Santuário até às 1h30 e só não fiquei mais tempo porque começou a chover e o cansaço tomou conta de mim. Fiquei todo o tempo que pude porque quis "sentir" aquela força que só quem é peregrina, e vive o milagre do sol no coração, tem.  
No rosto de centenas de pessoas, com quem me cruzei naquele recinto, li a fé, a dor, as lágrimas mal contidas, a esperança e o amor... tanto amor e tanta gratidão. E quando os nossos olhares se cruzavam havia entre nós um entendimento profundo que dispensava palavras... Porque é também ali, naquele lugar, que quando preciso de paz o silêncio me encontra e traz consigo todas as respostas que me fazem falta. É também ali, que quando a vida me troca as voltas, eu peregrina, me ajoelho aos pés de Maria e me reconcilio comigo e com o meu coração. 


Entre tantas fotos possíveis e vídeos que podem ser vistos aqui deixo apenas esta (tirada pela minha filha) ... porque diz tudo.






domingo, 7 de maio de 2017

Porque isto da maternidade não é uma corrida ao pódio

Numa altura em que tanto se debate a maternidade e o significado de ser mãe (com todas as falhas, erros e acertos próprios da tarefa em si) fica o texto sempre lúcido de Isabel Saldanha.


"A minha mãe não é a melhor mãe do mundo. Eu, não sou a melhor mãe do mundo. E talvez um dos conselhos mais sensatos que eu tenho para dar às minhas duas irmãs que esperam bebé, é que elas não serão as melhores mães do mundo. Isto da maternidade não é uma corrida ao pódio.

Ninguém nasce diplomado. E mesmo aquelas que têm uma ideia fixa do que querem ser quando forem mães, não imaginam metade das variáveis que não dominarão no "fazer bonito" da função. E depois há todo o património negativo, entenda-se com isto, os pequenos senãos, uns quantos traumazinhos imputados e umas memórias que serviram de débito à adolescência em muita folha de diário. Mas mesmo o que nos faltou, tem uma importância tremenda no que somos. E uma mulher com uma boa auto estima tem grandes possibilidades de vir a ser uma mãe com menos culpa. Nunca se falou tanto sobre o tema, nunca a sociedade pareceu estar tão de acordo com a vulnerabilidade, equidade, fragilidade e outros “ades” da tarefa. Nunca houve tanto fórum, discussão aberta e frase de incentivo à customização individual da maternidade. E nunca vi as mães tão preocupadas como agora. Eu não sei se sou boa mãe, tenho ideia que sim. Mas não vou depender de uma caneca do dia 7 de Maio, nem de um desenho amoroso que o pai as obrigou a fazer, para acreditar nisso. Mesmo sabendo o quanto me enche cada gatafunho. 
Porque se depender disso, quando elas chegarem à adolescência altiva, e precisarem dos meus traumas, para lhes justificar as falências de carácter nas relações amorosas, estou lixada. Vão se as certezas de uma vida em esforço num esgar de acne e mau feitio. Ser mãe é uma aprendizagem contínua de uma responsabilidade tremenda. Um ser em formação educa a formação de um ser. Tem tudo para dar torto, e de uma forma ou de outra, sobretudo da nossa, a maioria das vezes, dá certo. E mesmo quando às vezes penso, que se voltasse atrás mudava algumas coisas, rio-me, porque não seria eu. Não faria esse esforço, nem teria essa capacidade. Elas vão ter que se contentar com esta mãe e eu vou-me contentado com as minhas filhas. E o nosso amor será um elogio à verdade de nós mesmas, mesmo naqueles dias nublados"