sábado, 20 de abril de 2019

*sobre regressar a casa




Por onde quer que as nossas vidas sigam, por mais longe que elas se afastem, por mais voltas que o mundo dê, haverá sempre o lugar de onde viemos. Aquele lugar onde existimos desde o início. Onde tudo começou. Onde abraçámos a vida pela primeira vez. 💓
São muito importantes esses lugares. Os lugares de onde viemos, onde pertencemos e onde construímos os nossos sonhos primeiros. E mesmo que eles se desfaçam com o tempo, mesmo que o vento os empurre para um lugar distante, nada nem ninguém pode alterar o sítio inicial onde esses sonhos nasceram e foram acalentados como matéria prima preciosa. Os lugares onde nos sentávamos a imaginar e a construir uma vida no mundo lá de fora. Os lugares onde dissemos muitas vezes, quando eu for grande ... quando eu for grande... No meu caso, esse lugar foi aqui, na minha Serra. A mais bonita de Portugal. Lugar primeiro de todos os sonhos e das minhas primeiras conquistas. Nasci e cresci aqui. Com a neve dos longos invernos e o calor abrasador do verão a moldarem a força da pessoa que sou hoje!! Sou Beirã. Feliz, destemida e orgulhosamente Beirã. E este é e será sempre um dado importante da minha biografia. 




segunda-feira, 8 de abril de 2019



São já 10 anos de escutismo. 10 anos de crescimento e de lealdade. 10 anos de dedicação e compromisso.
Parabéns!! É bonito ver-te chegar aqui! 
Que sejas muito feliz como Caminheiro e que esta fase seja vivida com muita alegria e com muita entrega numa comunidade onde todos possam SER e CRESCER, no respeito pela diferença e pelo ritmo de cada um, mas também e essencialmente na afirmação do vosso caminho.
Que sem medo, assumas o teu lugar activo na sociedade e procures dar o teu honesto contributo para que tu e todos à tua volta se possam realizar plenamente como cidadãos, levando sempre no coração a bonita divisa dos caminheiros: SERVIR!! 🔴🔴
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Não podias ter escolhido melhor padrinho 💙
Que sejas muito feliz nos Pioneiros e com essa nova cor que trazes ao peito...

Azul do Mar: a profundidade, o mistério e a energia, Azul do Céu: o infinito, a excelência, a espiritualidade e, por fim, Azul do Horizonte: o desafio, a distância e a eternidade.

Que adquiras nesta fase minha pequenina Maria o saber-Ser, o saber-Fazer e o saber-Estar em paz e harmonia com todos os que te rodeiam. 

Que sejas persistente, insistente, resiliente, valente e uma destemida construtora do teu futuro e que, sendo fiel à lei “o escuta é leal” procures deixar “o mundo um pouco melhor do que o encontraste” e que a tua alegre e feliz maneira de ser seja a pegada que deixas no mundo como marca da tua individualidade.



quinta-feira, 7 de março de 2019

quando muda tudo


Hoje, numa conversa rápida com uma amiga falámos sobre a brevidade da vida e sobre a importância de nunca deixarmos nada por dizer, de não nos deitarmos zangados com ninguém, de nos despedirmos todos os dias dos que amamos,  pois nunca sabemos quando será a última vez ... 

Lembrei-me de ti. Não nos chegámos a despedir. Não deu tempo. Na verdade, com a mania das pressas, não me deixaram fazê-lo e guardo, até hoje, essa mágoa.  Não foi por mal ... ninguém podia saber que aquele era, na verdade, o nosso último momento, o derradeiro telefonema, a última vez que poderia ter ouvido a tua voz.

Fazes-me falta. Muita. Tanta como me fez falta, ao longo de todos estes anos, o último abraço que não demos, a última conversa que não tivemos e aquele "gosto muito de ti" que não chegámos a dizer.  

Não deu tempo. Não podíamos saber. Ninguém pode. A vida é cheia de imprevistos e encontra-nos, na maior parte das vezes, distraídos e demasiado ocupados.

Desde há muito tempo prometi a mim mesma não me deitar zangada nem triste com ninguém, não deixar um "gosto muito de ti" por dizer nem um abraço por dar e contribuir genuinamente para a felicidade das pessoas à minha volta. Todos os dias. Enquanto tenho tempo.


Como consequência da conversa de hoje, a minha amiga dizia-me "por isso, nós vamos sempre despedir-nos com um abraço bom, não é?" ... 

Sim, vamos! Acredita que vamos mesmo. 






quarta-feira, 6 de março de 2019

Renascer *


“Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar’ (Gen 3,19)”. 



Cerimónia da imposição das cinzas. 




* Quaresma. renascimento. uma primavera dentro de outra.

terça-feira, 5 de março de 2019

Viver é...


Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo. 
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera. 
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde. 
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções. 
A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas divertidas. 

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'





domingo, 3 de março de 2019



A cada dia deter-me na beleza que vive nas coisas ínfimas. Cuidar da casa que somos, no que isso tem de interior e de exterior. Renovar, mudar, crescer e, ao mesmo tempo, não perder a capacidade de olhar para as coisas de sempre, à luz do que somos agora e não do que fomos antes.





segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019



Chamam-lhe RUA porque a vida está lá fora, nessa mistura de sons, de cheiros e de gentes

Chamam-lhe RUA porque é aqui que reside toda a vida de uma Invicta renascida ... ♥️♥️ 










domingo, 24 de fevereiro de 2019



A vontade era de mar. E às vezes estar perto do mar é tudo quanto me basta para arrumar todas as coisas que trago desarrumadas cá dentro ... Este é o meu mar perto de casa. Sei bem que não é assim tão perto e sei bem que não é o “meu” mar de todo o verão, mas é um mar que me deixa tranquila e é perto que chegue para ir sempre que me apetece ... Há outros mares mais perto, mas este é aquele que mais que “um mar” é uma casa.  Hoje está especialmente bonito: azul e sereno, mas eu gosto dele em todas as suas versões e de todas as maneiras como acontece de resto com todos e tudo o que amamos ♥️♥️






quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

A pergunta que importa fazer ...



«Pergunta a alguém se é feliz e repara como te olharão desassossegados, como se houvesse um estratagema escrupuloso por detrás da pergunta ou como se questionasses ali sem pudor o oculto de um segredo profundo. Repara como se movem inquietos e perguntarão cheios de agnosticismo o que é isso afinal, a felicidade, quimera tão longínqua como perdida. Haverão de hesitar numa conclusão firme, optando pela ambiguidade tranquila de um talvez, tem dias, o espectro acostumado do miserável vai-se andando, cá se vai indo. Para estes, a felicidade é excepção à regra, deslumbramento exigente e de condições variadas e nunca inteiramente satisfeitas. Repara como lhes é fácil entrar na noite de uma tristeza, um par de incidentes lhes basta para uma eternidade sem fim, porque a tristeza pode ser um vício como qualquer outro. Ela tem razão quando anuncia que já ninguém liga à felicidade. Pergunta de novo e observa. Ignora-te de ti por um momento e repara bem como há pessoas para quem a felicidade é um impossível. E então, de olhos bem abertos, que decidas escolher o encontro com a felicidade a cada dia. Nasceste para ser feliz.» | Marisa Silva |

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

ao 10º dia *




* o compromisso é encarar a vida de peito aberto e coração ampliado e com a certeza inegociável de que só fica na nossa vida quem merece mesmo ficar  




quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Dia 2


Gosto dos últimos dias do ano. Gosto mesmo. Gosto de dedicar alguns dos meus pensamentos, rabiscos e silêncio a estes dias. De pensar em tudo o que fiz nos últimos 365 recomeços que tive pela frente. De como enfrentei os dias difíceis, de como valorizei tudo o que recebi, de como me levantei após cada queda, de como celebrei cada pequena conquista, de como apreciei estar a viver esta vida. 

2018 não foi um ano fácil. Tropecei algumas vezes, caí tantas outras, numas tive ajuda para me levantar, noutras quis fazê-lo sozinha. Não tenho a ilusão de estar alegre todos os dias, a todas as horas, permanentemente. Mas tenho a vontade, o desejo e a força de querer tornar os meus dias sempre mais solarengos, sempre mais luminosos, sempre mais bonitos. Nem sempre consigo, é certo, mas não desisto. É uma espécie de teimosia minha esta vontade de querer manter uma janela aberta sempre que uma porta se fecha. 
O novo ano está a dar os seus primeiros passos e, com ele, há a esperança de um novo recomeço e a esperança de que várias janelas se abrirão mesmo que algumas portas se fechem.  

Gosto muito dos últimos dias do ano. Mas gosto igualmente dos primeiros. Novinhos em folha e prontos a estrear. Como uma agenda nova pronta a encher de listas e planos e onde cada dia é um pequeno (grande) recomeço. Que seja assim 2019. Um ano de recomeços. De planos e listas. Um ano cheio de boas oportunidades, com muitas janelas abertas e poucas, muito poucas portas fechadas. ♥️ 







segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

acreditas??



"Acreditas no destino, mãe?" - começou ele. "Achas que existe algo para além da nossa vontade ou achas que somos nós que decidimos a nossa vida sem que nada a possa mudar?"


Nem sempre consigo responder a todas as perguntas que me fazes ... talvez porque as respostas que me exiges também ainda não estejam claras para mim ou talvez porque as dúvidas que tens sejam as mesmas que ainda me assaltam.

No entanto, penso que o destino filho, ou a noção de que ele existe, é algo que surge com o tempo... e com o tempo vem também o entendimento natural das coisas, que dependem de muitos fatores, dos anos vividos e da qualidade dos mesmos. Se observamos o caminho já feito (e aos 45 anos já se tem qualquer coisita para observar) verificamos que, muitas das coisas que pensamos criar, mudar ou alterar, na verdade não fomos nós que as criámos ou mudámos, na verdade elas já lá estavam... apenas nós não vimos e, como tal, assumimo-las como obras nossas; 

Com a idade e com a vida também eu aprendi a reconhecer, no caminho, os sinais que antes não via e quando hoje olho para trás, vejo que cada pedaço de caminho percorrido nunca foi feito a direito... teve sempre setas - para a esquerda e para a direita, para cima e para baixo - teve sempre várias alternativas e várias encruzilhadas... 

Com o tempo aprendes que somos nós, com as nossas ações e atitudes - embora muitas vezes sem essa consciência, que escolhemos as direções e os caminhos que queremos seguir, as vidas que queremos tocar ou conhecer e somos nós que decidimos, se nos vamos ou não perder nessas encruzilhadas do caminho, cientes de que tudo tem uma razão para acontecer e de que, por isso, nada acontece nesta vida por acaso.


Por isso, também tu meu filho, ao longo do caminho vais encontrar muitas setas, estradas alternativas e encruzilhadas, também tu te vais encontrar com outras vidas, cruzar-te com muita gente... mas conhecê-las, deixá-las entrar na tua vida, deixares que te cativem ou não dependerá sempre, e exclusivamente, de ti. 

É uma escolha de momento, uma escolha que fazes num segundo... e embora não o saibas (nem te apercebas) a diferença que existe entre deixares ou não deixares que uma vida se cruze com a tua, a diferença entre seguires a direito no teu caminho ou fazeres um desvio, é já um jogo do destino e será ele que determinará – sem que o percebas - a tua existência e a de quem está junto de ti.





quarta-feira, 29 de agosto de 2018

será sempre a (minha) maior lição *

O lado bom de todos os recomeços e de todos os reinícios é voltar cheia de ideias e planos, cheia de motivação e boas energias. Apesar de adorar os meus 2 meses e meio de férias de verão (e de achar sempre que nunca chegam para tudo) a verdade é que também gosto de regressar aos meus miúdos, à minha matemática e ao convívio diário com tudo e com todos os que me fazem tão bem e tão feliz, na melhor e mais bonita Academia de Ciências da cidade. 
Tem sido uma longa (e muito feliz) caminhada ao longo dos anos (e já lá vão 27). Uma caminhada feita de muito trabalho e muita dedicação, procurando crescer como pessoa e como profissional da Educação, e dedicando o melhor de mim ao melhor que o mundo tem. 
Ao longo dos anos mudei muito. Mudei a minha maneira de estar perante a vida e os outros, mudei o meu olhar perante a Educação e acabei por me descobrir mais versátil, mais compreensiva e mais tolerante do que julgava ser. Não sou hoje, garantidamente, a mesma pessoa que há 27 anos atrás começou a ensinar matemática. 
Ao longo deste caminho aprendi muito, evoluí muito, desenvolvi e aprendi novas ferramentas para ajustar os métodos de ensino-aprendizagem à natural evolução da sociedade e dos alunos de hoje - tão diferentes dos alunos de há 27 anos atrás. 
Ao longo dos últimos anos procurei sempre estar atualizada e fazer formação contínua e adequada às necessidades do novo aluno do século XXI. Isto porque Ensinar vai muito além de dominar conceitos ou debitar tudo aquilo que sabemos sobre a disciplina que ensinamos. Ensinar hoje é preparar o aluno também para o imprevisto, para o novo, para a complexidade e, acima de tudo, ajudar a desenvolver em cada um a vontade e a capacidade que lhe permitirá construir a sua aprendizagem e conhecimento ao longo da vida. 
Educar ensinando com coerência e flexibilidade é um dos princípios base do meu método de ensino. Um método que não se esgota em si mesmo, mas que se adapta a cada aluno consoante as suas necessidades, e que pressupõe a liberdade, a responsabilidade e a valorização do seu trabalho e a consciência de si próprio.
Tenho trabalhado, diária e afincadamente, ao longo dos anos para construir um equilíbrio feliz entre querer ser mais e melhor e continuar a manter a simplicidade e a humildade de quem sabe que em Matemática o tema e o conhecimento nunca se esgotam. Há sempre muito para aprender e para ensinar, ou melhor, há sempre muito para ajudar a descobrir. É isso que faço todos os dias: ajudar cada aluno que trabalha comigo a descobrir o seu potencial e o seu valor, orientando-o na construção do seu caminho, levando-o a confiar em si próprio e nas suas capacidades e a ser responsável pela sua própria aprendizagem. 
Por muito que as notas sejam importantes (e são!) é essencial que o aluno também aprenda a gostar de aprender e a ver as notas não como um fim em si mesmo mas, como um meio para crescer ainda mais. Porque enquanto a sociedade e a escola se focarem mais nos resultados do que na aprendizagem, se focarem mais nas notas do que em estimular no aluno o gosto por aprender e conhecer, o que vamos continuar a ter é alunos frustrados quando não atingem uma nota, que desanimam ao primeiro obstáculo e que não sabem lidar com os insucessos que, obviamente, fazem parte do dia-a-dia de todos nós. Isto acontece porque se valoriza mais a nota na pauta do que aquilo que o aluno sabe e, muitas vezes, ele sabe bem mais do que aquilo que, por diversas razões, conseguiu transmitir num teste. Sei isso como profissional de Educação e sei isso como mãe. E sei também que a nossa presença ao longo deste processo é fundamental pois, o caminho nem sempre é fácil e, ensiná-los a gerir tristezas e frustrações é também ensiná-los a reagir e a não baixar os braços perante as dificuldades próprias da vida.

Cada aluno tem o seu tempo e o seu próprio ritmo, e se aprendermos a respeitar isso, sem pressões e sem ansiedade, estimulando o gosto pela aprendizagem e valorizando a construção do seu conhecimento, tenho a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, esse conhecimento se traduzirá também em bons resultados. Precisamos apostar nas várias dimensões da vida de um aluno e não ver a dimensão académica como a única que é importante ou como a mais importante. Um aluno é uma pessoa e uma pessoa não é só as notas que tem, os patamares que atinge ou as graduações que obtém. 
Cada um de nós é o somatório das várias dimensões e situações que nos aconteceram ao longo da vida. Por isso considero tão importante falar com eles, dar-lhes "tempo de antena", escutá-los e olhar para eles olhos nos olhos. Os nossos alunos não são um "recipiente" que temos que encher de conhecimento, precisamos que reflitam, que raciocinem, que saibam tirar conclusões. E se só eu falar não lhes permito pensar e não lhes dou espaço de reflexão. E nessa escuta ativa, nesse tempo meu que lhes dedico percebo melhor quem é a pessoa que está à minha frente, e quando isso acontece é extraordinário porque conheço um ser humano único e cheio de potencial. E eu acredito que quando os conheço melhor também os posso ensinar melhor e acompanhar mais, não só na sua evolução a matemática mas também no seu crescimento como pessoas. 
Não podemos criar-lhes muros nem barreiras,  não podemos deixá-los "apagar" o brilho natural que cada um deles tem, não podemos impor-lhes "profissões", não podemos viver por eles a vida que eles precisam aprender a construir. E nunca, mas nunca em hipótese alguma, os deixem pensar que os seus sonhos são demasiado grandes. Pelo contrário, é preciso permitir-lhes ser o que quiserem, dizerem o que sentem e como o sentem. E digo isto como profissional de educação e, novamente, como mãe. É muito triste pensar que a educação de um aluno se resume a uma nota. É muito triste pensar que aprender só serve para os preparar para os exames nacionais ou para serem "empregáveis" no futuro. Isso seria demasiado castrador e está tão longe da verdade. 

Prefiro acreditar numa educação centrada no aluno e para o aluno. Prefiro educar para o futuro e para a felicidade, contribuindo para criar cidadãos completos, que saibam lidar com os contratempos da vida, que sejam resilientes, que aprendam a superar desafios, a acreditar no seu valor, a lutar pelos valores em que acreditam com respeito pelas diferenças do próximo, que possuam elevados conhecimentos científicos mas que, ao mesmo tempo, não se percam no conhecimento de si próprios nem do mundo que os rodeia.  

Precisamos mudar a linha do nosso pensamento em educação. Eu mudei muito em 27 anos. Sou melhor professora. Sou melhor pessoa. E devo-o (e muito) a todos os alunos que cruzaram o meu caminho ao longo destes anos e que muito me ensinaram.



* vejo a vida como uma linha. sei quem sou e de onde venho e pretendo manter a humildade de me lembrar todos os dias que "as maiores árvores da floresta crescem do chão" 




quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Há mais de 3 dias que não calço sapatos ... há outro nome para isto que não seja liberdade?  





domingo, 12 de agosto de 2018

Sobre o que de verdade importa

Tenho passado a semana em arrumações. Depois de ler este livro (que recomendo... muito) há toda uma vida (e casa) que se coloca em perspetiva. Isto porque arrumar a casa, destralhar armários, livrar-me de tudo o que já não me serve, funciona por um lado como terapia e, por outro, pode ser visto como uma metáfora: desapegar-me de objetos como quem se desapega de ideias e de pessoas que já não têm espaço na nossa vida, deixar ir roupas velhas como devemos deixar ir o passado, o que não nos acrescenta e só nos magoa, reorganizar armários como quem reorganiza a vida, as rotinas... no fundo, limpar a casa equivale, em última instância, a destralhar e a organizar a confusão e o caos que às vezes se instala à nossa volta, a reestruturar e a organizar os nossos armários interiores e a colocá-los em ordem. 
Não é um processo fácil. Destralhar a casa (e a alma) é difícil e dá trabalho, desapegarmo-nos das nossas coisas (algumas guardadas religiosamente durante anos) e aprender a deixar ir o que já não importa custa muito e não se faz com isenção de dor. Mas é algo que é preciso fazer. Muitas vezes, é urgente fazê-lo a bem do nosso equilíbrio. E é o coração que decide quando e porquê e é ele que ajuda a escolher entre o que é para largar e o que é para manter. É ele que delimita o que guardamos dentro ou fora da nossa vida. E é desta delimitação, de espaços, pessoas e conteúdos, que se faz a organização de toda uma vida (embora a causa inicial fosse "só" organizar a nossa casa). 

Às vezes é preciso deixar ir o que já não queremos para arranjarmos espaço para tudo o que merecemos. Se tudo à nossa volta estiver cheio, confuso, caótico não é fácil arranjar lugar para o novo .. é preciso olhar para a frente, porque a olhar para trás não se constrói caminho.