sábado, 12 de maio de 2018

Ainda sobre os nossos dias em Setúbal - Cais Palafítico da Carrasqueira





 





Junto à aldeia piscatória da Carrasqueira a arte popular levou à construção do Cais Palafítico. Nas margens do Sado, que banham a Carrasqueira, nem sempre foi fácil chegar às embarcações, por isso, ergueu-se há quase 200 anos um cais em madeira, entre as margens baixas e lamacentas. O Cais Palafítico está construído em ziguezage, sobre a água, com uma grande área para atracar as embarcações e um passadiço para circular. 

Se não conhecem não deixem de ir até lá ... garanto que, ao pôr do sol, é ainda mais extraordinário 

terça-feira, 8 de maio de 2018

*Setúbal









A par com o mar do meu querido sul, que tanto gosto e que registo todos os Verões aqui, este mar azul da Arrábida. 
Num destes fins-de-semana com feriados pelo meio voltámos ali e fomos redescobrir Setúbal. Quem não conhece arrisque uma escapadinha de 3 dias e vá, sem medo à descoberta deste pedaço de Portugal. Há muito para ver e sítios bonitos para sentar e beber um Moscatel de Setúbal (experimentem o roxo na Casa da Baía ou aqui), muito verde para respirar e as bonitas praias recortadas pela serra da Arrábida: Figueirinha, Galapos e Galapinhos e a lindíssima praia dos Coelhos. Volte as vezes que voltar nunca deixo de me sentir encantada com todo aquele azul em perfeita sintonia com o verde daquele mar. O primeiro impacto é sempre esse. Quem nunca esteve, chega e encanta-se e quem volta torna a encantar-se e a apaixonar-se como da primeira vez... depois suba a serra e vá até ao Portinho da Arrábida, veja o pôr do sol e jante no Farol (o espaço é muito simples, o peixe muito fresco e a vista faz o resto). Não seria justa se, em termos de restauração, não mencionasse o meu lugar preferido da cidade para almoçar ou jantar - o Miguel - (com o melhor peixe e choco frito da cidade, um marisco irrepreensível e um atendimento ímpar). Volto sempre. Por muitos motivos. O maior deles é a honestidade de tudo o que ali se come. Passeie pelo Jardim da Beira Mar e depois vá  até ao Forte de S. Filipe e beba um café na esplanada com melhor vista sobre a Baía do Sado.
Ou então vá até à Doca de Recreios das Fontainhas localizada na zona oeste da cidade e que alberga também o cais dos ferries que fazem o transporte para península de Tróia e vá em descoberta de uma das principais maravilhas de Portugal. Os ferries podem transportar passageiros (com bicicletas) e automóveis e a viagem demora cerca de 30 minutos (os bilhetes compram-se junto ao embarque). 

As coisas boas e os melhores locais só ganham valor se os partilharmos ... as experiências... essas o melhor é ir e vivê-las. Deixo as fotos. Valem por si.
   

* (sobre voltar sempre aos lugares onde somos felizes)




sexta-feira, 27 de abril de 2018

Sobre arrependimentos ...

Quem, na vida, nunca se arrependeu de nada? Quem, podendo, não voltaria atrás e faria tudo (ou muita coisa) diferente? Quem nunca disse algo que preferia não ter dito, ou teve uma atitude da qual se arrepende e que se pudesse voltar lá atrás não teria tido?
Não compreendo quando oiço algumas pessoas dizerem: "não me arrependo de nada!" ou "se pudesse voltar atrás faria tudo, tudo igual... sem mudar uma vírgula!"

Será que acreditam realmente no que dizem? Será que, realmente, nunca disseram nada de que se arrependam? Será que nunca disseram algo que melindrou ou magoou alguém? Será que nunca cometeram um erro, uma falha ou será que nunca terão feito uma escolha que, na altura embora lhes parecesse correta, hoje se pudessem teriam escolhido o oposto?
Eu acho que há uma diferença enorme entre fazer algo que não gostaríamos de ter feito mas que teve mesmo que ser feito e fazer algo que, se pudesse voltar atrás, não teria feito porque fiz mal, errei ou na prática, e a longo prazo, verifiquei que nada me acrescentou de bom e que estava errada. O "não me arrependo de nada", não existe... O que existe é o modo como eu lido e vou gerindo as minhas falhas, os meus dias menos bons, os meus erros. O que conta, no balanço desta equação, é o modo como aceito que, muitas vezes dadas as circunstâncias, eu errei, mas que não poderia ter feito melhor e aceitar isso. Perdoar-me por isso. E seguir em frente. Com arrependimento, é certo, mas consciente das minhas limitações em certas situações. 

Por isso não acredito em pessoas "nunca me arrependo de nada" ou em pessoas "não mudava uma vírgula a nada do que já fiz ou disse!", porque isso seria acreditar em pessoas sem falhas, com vidas perfeitas, que nunca magoaram ninguém, que nunca foram injustas, que nunca julgaram ninguém (mesmo sem querer...), que nunca erraram! E eu não acredito nisso porque isso, simplesmente, não existe. 

O que existe, isso sim, são pessoas "faz de conta" a viverem vidas "faz de conta que..."; Pessoas que preferem enfiar a cabeça na areia e "fingir" que estão a viver muito acima dos outros, com existências tão plenas e profundas de significado que nunca, na sua vida inteira, poderiam arrepender-se do que seja.





sábado, 14 de abril de 2018

sobre ti *

O melhor do amor não é a conquista da intimidade. Não é o conhecimento do corpo de quem está connosco, a confiança, a amizade ou a possibilidade de falarmos através do silêncio. Não é a grandeza de perdoar sem ficar qualquer ferida. Não é sequer a convicção de que será mesmo para sempre. O melhor do amor é partilhar o que nos toca, lermos as passagens do que nos emociona, passearmos, cheirarmos o cheiros, vermos os filmes, peças de teatro, séries de televisão, chorarmos as lágrimas, termos sonhos, sabermos que não há rigorosamente ninguém com quem gostássemos mais de almoçar, conversar, dormir, estar. O melhor do amor é a certeza de que alguém nos salvará da loucura de nos transformarmos num eco.
Luís Osório, in "Amor


* meu amor maior

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Sobre hoje ( e para todos os dias)


Ser como a raiz desta árvore e não esquecer as vezes que tive de perfurar o cimento para sobreviver de pé. 

Continuar a repetir para mim mesma todos os dias: não quero ter mais, quero ser mais.



quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sobre ti *

As jornadas não se conquistam todas de uma vez. E quando chegares ao fim de um caminho, outro se apresentará mais à frente. É preciso estar atento, ter coragem para enfrentar o desconhecido e nunca (nunca, nunca) deixar de caminhar! Todos os caminhos são diferentes minha #mariacatita mas, e por isso mesmo, ao caminhares é importante que nunca deixes de cuidar de tudo aquilo que é (verdadeira e absolutamente) essencial. Que não te poupes em tudo o que mereces, que não deixes por mãos alheias tudo o que é teu de direito e que te recordes - sempre - que a vida só se dá a quem também se sabe dar ♥️ Lembra-te "Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma só e simples estrela, nem por isso me sinto dispensado de percorrer todos os caminhos do mundo." José Saramago


Sobre a semana passada

Esta foi uma semana de largar um bocadinho as redes sociais, de abandonar os telemóveis, de conversar (ainda) mais, de partilhar tudo, de dividir tarefas, de aprender e testar limites e caminhar em comunhão com a Natureza. 

No Caminho cada dia tem a sua rotina e é sempre preciso planear a etapa seguinte e ajustar alguns pormenores. Cada um é responsável pela sua mochila, por deixar tudo limpo e arrumado e transportar tudo o que é seu. Aqui, cada um tem o seu lugar e não deve invadir o espaço alheio. Caminharmos juntos tem muito sobre respeitar silêncios, ritmos de caminhada e estados de humor. Caminhamos juntos mas somos seres individuais, e é esse respeito pela nossa individualidade que torna o grupo unido e coeso, disponível para ajudar o outro. Somos companheiros de viagem e embarcámos juntos nesta grande aventura.





terça-feira, 10 de abril de 2018

Pelos caminhos de Santiago

É costume pensarmos muito - talvez demasiado- em tudo o que achamos que nos falta acrescentar às nossas vidas. Devíamos fazer talvez o exercício ao contrário. Devíamos talvez pensar nas coisas de que podíamos abdicar, em tudo o que facilmente poderíamos dispensar como uma prática de sincero desapego - e estarmos bem ainda assim. 
É como destralhar a nossa mochila e ir tirando tudo o que está a mais, que pesa e não nos faz falta no Caminho. Como uma metáfora de vida e um deixar ir com a corrente, libertando-nos das amarras que nos prendem a ninharias e coisas sem importância para depois percebermos que é na essência que está em nós e naquilo que já possuímos que mora o essencial de tudo aquilo que precisamos.