sábado, 14 de julho de 2012

Abraço mesmo, Abraço


Acho que a ingenuidade é uma qualidade, faz-nos bem e faz bem aos outros. Não é ingenuidade ignorante, é dar uma oportunidade às coisas ou despir-se dos preconceitos que nos empobrecem, porque vamos achar que já conhecemos tudo e perdemos a possibilidade de explorar, de nos deslumbrar. Perder esta capacidade é uma tristeza.
Eu vim de um lugar, e tento não me esquecer disso, em que havia um baile e os velhos iam pôr-se ali e era "o" divertimento. Para eles, estar sentado na cadeira lá no jardim já era alguma coisa. E eu acho que, com a quantidade de estímulos que existem, temos de fazer um esforço para descobrir e encontrar beleza em coisas simples.

José Luis Peixoto, em Abraço mesmo, Abraço,



E é isso que eu sinto que nos falta... essa capacidade de nos voltarmos a deslumbrar com pequeninas coisas, como quando éramos crianças e tudo nos deixava maravilhadas. Hoje, por vezes, já nem as nossas crianças se deixam maravilhar... tudo é tão rápido e de tão fácil obtenção que se perdeu aquele gosto da espera, da ansiedade, das borboletas que sentíamos na barriga enquanto esperávamos por uma coisa que queríamos muito... Gosto que os meus filhos dêem valor às coisas, que sintam que elas não se obtêm sem esforço e sem luta, gosto de os ver a torcer pela passagem dos dias que faltam para irem de férias, gosto do nervoso miudinho que antecede a partida e da festa que fazem sempre que digo que o jantar é pizza (não obstante a quantidade de vezes que a comem!)

(14h33)




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