domingo, 12 de agosto de 2012

Ouvir ... quando, na verdade, ninguém ESCUTA!


Existe uma clara diferença entre "ouvir" e "escutar". Ouvir remete-nos para o campo das "cusquices", para a preocupação, apenas, com a história em si. Normalmente as pessoas que ouvem apenas se interessam pela história e não pela pessoa ou pelos seus sentimentos. Escutar, pelo contrário, remete-nos para o campo da pessoa, dos seus sentimentos e do que ela está a viver. Hoje, escuta-se pouco. Hoje, ouve-se, e, ainda assim, mal e a correr. Não há, qualquer interesse, por parte do ouvinte, não há qualquer vontade de saber que repercussões terá, na vida de quem conta, aquela história que estamos a ouvir. Escutar, faz de nós, pessoas interessadas e não "interesseiros", faz de nós, "escutantes" preocupados, envolvidos de verdade e em verdade, nos sentimentos de quem conta. Escutar cria empatia, porque nos preocupamos realmente, com a pessoa, é como se "vestíssemos" a sua pele . 

Do modo como gerimos a nossa preocupação, com o que estamos a ouvir, nasce a nossa verdadeira capacidade de saber escutar. 

E Escutar, remete-nos sempre para outro espaço de comunicação. Levanta sempre outras questões. Saber escutar, leva-nos para o estádio da compreensão, do respeito pelo próximo enquanto pessoa, do saber estar no lugar dos outros, e de nos preocuparmos, realmente. Aprender a escutar enquanto se ouve, estarmos mesmo ali, à frente da pessoa que nos fala, activos, sermos capazes de nos  envolver com ela e com o que nos conta, não como meros ouvintes mas como participantes activos, fará toda a diferença na nossa vida. 

Talvez esteja na altura de pararmos, um bocadinho, os nossos imensos afazeres para ter tempo, para escutar, (a nós e aos outros), para nos envolvermos com os outros e deixar de andar, por aí, como se todos fossemos apenas rádios, que transmitem, em hora de ponta, um programa que ninguém ouve.

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