sábado, 1 de setembro de 2012

Setembro ...

Setembro chegou. Com ele vêm todos os começos e todos os recomeços também. Começam as minhas preocupações com a escola dos meus filhos mas, e também, com a escola dos meus outros "filhos" (aqueles que o  são de coração, sem laços físicos mas com laços bem apertados; tão apertados que lhes sinto a falta durante as férias; tão apertados que quando não estão bem ... também eu não estou!)... começa mais um ano lectivo. Começa mais uma etapa de mãe e professora; abrem-se as portas do Centro de Explicações, recebem-se horários, alunos, pais e mães, expectativas, promessas - este ano "stôra" vai ser diferente. Vou-me aplicar ainda mais - abrem-se as portas para mais um ano, uma etapa, uma conquista. Abro mais um ano o meu coração; dou, de mim, tudo o que posso e, às vezes, também mais do que posso, apenas para os ver sorrir, avançar, crescer, evoluir, tirar boas notas - conquistar um sonho - definir as suas metas e avançar no caminho. Somos mais do que simplesmente, aluno-professora: somos amigos! Partilhamos os nossos dias, partilhamos dores, alegrias e receios, partilhamos vida (real e de todos os dias); somos amigos (com toda a diferença própria das idades que nos separam); 
No dia-a-dia do nosso Centro não há espaço para queixas ou queixinhas... não há tempo para lamurias ou desânimos; no nosso Centro temos sonhos, definimos metas, delineamos estratégias, alinhamos rotas e fazemo-nos ao caminho. Ali, tento sempre transmitir mais do que matemática: tento transmitir responsabilidade, capacidade de luta, esforço, reconhecimento perante os desafios e as dificuldades e incutir a capacidade de resiliência para que possam transformar tudo isto e ir mais além. 

No nosso Centro (a nossa segunda casa - como dizem alguns alunos) não há diferenças mas faz-se a gestão das tarefas entre todos; no nosso Centro partilhamos (entre equações e derivadas) experiências e histórias; ali eu motivo e sou motivada; ali discutimos ideias e formam-se alunos e cidadãos; falamos de amizade, somos sinceros e atribuímos um novo sentido à palavra: lealdade. 

Ali, no nosso Centro (não apenas meu mas, acima de tudo, nosso e vosso, também, se quiserdes ler o que escrevo)formamos pessoas, não apenas na matemática mas, para a vida de todos os dias, e orientamos para o respeito e para a busca da igualdade entre todos. Orientamos os alunos para aprenderem que "cair" faz parte de aprender a levantar; que ninguém é perfeito ou sabe tudo; que todos erramos porque todos somos aprendizes e que não tirar sempre 20 ou 18 num teste, não faz deles maus alunos mas, simplesmente, alunos que estão a aprender e que têm um caminho a percorrer. Isto é muito importante para os alunos entenderem, porque a quantidade de meninos(as) que se angustiam, sofrem e se deprimem porque põem expectativas altas demais (às vezes, descabidas, até) está a tornar-se assustador. Os nossos alunos andam deprimidos e muitos deles sofrem sem necessidade; tudo porque alguém lhes incutiu que não podem falhar nem errar, tudo porque alguém lhes incutiu que abaixo de 18 não serve... é certo que as médias são precisas para a faculdade, é certo que sem notas não se pode ir mais além, mas também é certo que cada aluno tem a sua medida; que cada aluno tem que respeitar as suas capacidades e saber até onde pode e consegue ir. As nossas crianças precisam de deixar de se sentir pressionadas e precisam de aprender a gostar de estudar; de estudar pelo prazer de aprender, de conhecer... e não com o objectivo de tirar um 18 ou um 20; precisam sentir gosto pela aprendizagem e ver o estudo como um meio e não como um fim; 

Tudo isto tento, durante cada ano lectivo, passar aos meus alunos... e já lá vão 20 anos. Tenho saudades deles... e por muito que não me apeteça Setembro, por muito que queira continuar de férias, a verdade é que gosto muito dos meus alunos e já lhes sinto a falta; gosto muito de os ensinar, de conviver com eles e de os ver chegar, felizes e sorridentes para mais uma etapa; 

Sou engenheira de formação, professora/explicadora (há 20 anos) por opção e vocação. Se amo o que faço? todos os dias e cada vez mais!! Se há profissões melhores? para mim, NÃO! Se eu poderia fazer outra coisa que não fosse ensinar? poderia... poderia fazer tudo aquilo a que me propusesse, se tivesse que ser... se eu seria igualmente feliz? Não! Certamente que não!

Agora que Setembro se aproxima e, com ele, todos os regressos deixo-vos este post, deste blog que sigo há muito tempo.



Always 




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