segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Sabes que tens amigos ...

Sabes que tens amigos verdadeiros quando, numa conversa, alguém tem a coragem de te defender (mesmo sabendo que acabou de comprar uma briga com outra pessoa para toda a vida).

E isso sabe bem. Sabe mesmo muito bem. Porque em dias como os de hoje (em que as pessoas se  isentam de tudo o que as obriga a confrontar com alguém), em que a neutralidade é uma arma (só para não termos que tomar o partido  de ninguém), haver alguém que seja capaz de, em público, erguer a voz e defender-nos é fabuloso. É de amigo. É preciso que gostem mesmo de nós e se preocupem connosco. A tendência actual é: "eu estive para dizer alguma coisa mas depois pensei: é melhor não me meter que não é nada comigo. Só para não arranjar chatices...". Pois, mas é aí que está a diferença entre SER amigo e dizer-se amigo. Os amigos verdadeiros ajudam-se mutuamente, não consideram defender os amigos uma perda de tempo e "compram" todas as brigas necessárias para defender aquilo em que acreditam e os que mais amam. Ser amigo dá trabalho, requer cuidados e atenções redobradas. Ser amigo exige que dês muito de ti (sem estar sempre a pensar no que vais receber em troca), exige que saibas ceder, compreender, estimar, ouvir e tantas, mas tantas vezes, aceitar aquilo com que não concordas. Mas ser amigo também implica que possas dar a tua opinião, que discordes, que possas dizer: "estás errada"  sem que, por isso, sejas considerado um traidor. 

Ser amigo implica que se saiba dar, que se saiba ter tempo, que se use o NOSSO tempo para dar tempo de nós aos outros; ser amigo implica que muitas vezes abdiquemos de nós mesmos para ir cuidar do próximo; que saibamos estar mesmo que não nos peçam e, acima de tudo, um amigo não contabiliza o tempo que te dá e não contabiliza quantas vezes te ajudou. 


Ser amigo é dar sem a intenção de receber (por muito que isto pareça um cliché); um amigo é aquele que te defende mesmo quando não estás presente para o aplaudir; um amigo não testa os teus limites, não te encosta à parede e, acima de tudo, não se isenta nem demite daquilo que é esperado de si. 


Mas nestes tempos que correm não há assim tantos amigos. Não destes verdadeiros, destes que estão sempre cá para nós, destes que seriam capazes de vir da sua casa à nossa "perder" tempo, apenas (?), para nos consolar a qualquer hora da noite ou da madrugada. Na verdade vivemos uma altura em que ninguém é capaz de se dedicar de verdade a ninguém. Vive-se numa época em que tudo se desenrola rapidamente e  de forma impessoal, em que não se investe na profundidade dos afectos, não havendo uma preocupação real em criar laços. 


Não acredito em amizades (ditas sinceras e verdadeiras) entre pessoas que não se preocupem (uma vez por dia que seja) em falarem umas com as outras. Que apelem à falta de tempo como desculpa para as suas ausências e para a negligência com que tratam o que de melhor lhes damos: a nossa amizade. 






Um abraço a todas as minhas amigas... aquelas que estão (longe ou perto) sempre aqui 

Sem comentários:

Enviar um comentário