quinta-feira, 31 de janeiro de 2013




Acabei por levar o filhote comigo para o Centro de explicações (que tem bom ambiente, tranquilo e quentinho) e ficou no meu escritório um bocadinho a brincar com os seus legos enquanto o pai não chegava. Depois o pai chegou e levou-o com ele. Parte-me o coração não poder estar com ele quando está doente... tem sido sempre assim a minha vida: perder certos momentos da vida deles, abdicar de uma série de coisas para poder trabalhar! Eu sei que o trabalho não é tudo (oh! se sei!) mas as coisas não caem do céu, o dinheiro não entra pela porta sem esforço e dedicação e quando se trabalha por conta própria é preciso investir muito de nós, é preciso agarrar as oportunidades, estar sempre presente e dar tudo por tudo. 
Dar explicações de matemática (e fazer um bom trabalho) não basta saber a matéria, tirar dúvidas, esclarecer conceitos ... pelo menos eu não vejo as coisas assim! Ser um bom professor/ explicador de matemática é dar muito de si (não só à matemática mas também aos alunos), é ensinar a estudar, ensinar a aprender e a ter gosto por aprender. Gosto muito dos meus alunos e gosto de os ensinar a pensar, gosto de lhes fornecer ferramentas para que possam caminhar sozinhos e independentes, porém seguros. Gosto muito dos meus alunos e preocupo-me com eles, enxugo-lhes muitas lágrimas e são muitos os que já passaram pelas minhas mãos em 20 anos de trabalho. No entanto, não deixa de ser verdade também que abdico de muitos momentos meus e com os meus; que tive uma licença de parto inferior a 1 mês para poder voltar (ainda que apenas algumas horas por dia) rapidamente ao trabalho - porque os alunos esperaram por mim (queriam-me a mim e não outra professora para lhes dar explicações) - e não podia abandoná-los nem virar-lhes as costas. 

Mas a vida é mesmo assim... feita de algumas cedências, de uns momentos em prol de outros e de aprender a aceitar o que não se pode mudar. É claro que ter um Centro de Explicações também tem vantagens: tenho imensas férias em conjunto com os meus filhos... de Natal, Carnaval, Páscoa e claro, as de verão: 2 meses e meio de mãe só para eles! Claro que dar explicações também me permitiu ficar com os meus filhos até aos 4 anos de idade e só depois irem para a escolinha... mas depois há os dias como o de hoje e custa-me. 
Mas temos que viver e reagir ... a vida nem sempre corre como gostaríamos mas corre como tem que ser. E com o ritmo certo. Como costumo dizer: temos que aceitar a vida como ela é e aceitar o que não podemos mudar. E, no fundo, dou graças a Deus por poder fazer o que gosto, por poder ensinar, por ter alunos e ir trabalhar, todos os dias (mesmo os mais difíceis), com um sorriso no rosto e a certeza absoluta de que sou feliz, mesmo tendo que abdicar de algumas coisas.  





2 comentários:

  1. Oh, minha querida, um muito obrigada pelas tuas palavras :)

    Eu acho que, para ser professora é preciso ter muita paixão pelo que se faz, pelo pouco que li, se todos os professores fossem assim, com certeza que a história escolar de muitos estudantes seria outra :)

    Beijo* muito grande :)

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  2. Gostei muito do texto. Da forma como falas desse misto de sentimentos. Do equilíbrio entre aquilo que queremos fazer e aquilo que "temos" de fazer. O equilíbrio entre o coração e a razão, que nem sempre é fácil de encontrar. Mas é assim mesmo, uns dias melhores, outros nem tanto... o importante mesmo é agradecermos tudo aquilo que a Vida nos dá de bom e que é tanto! Um beijinho grande

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