segunda-feira, 18 de março de 2013

Depois de ler durante umas horas, de pensar, arejar as ideias, pensar de novo, acho que esta frase diz muito e traduz tudo o que sinto...




 porque [por vezes] não sou uma pessoa fácil ... porque sou exigente, dura, (muito) teimosa, refilona, capaz de ir sempre até às últimas consequências se precisar de defender uma ideia, um ponto de vista ou alguém. Sei que perco muito por dizer o que acho, o que penso, por não me calar a nada, por me estar, literalmente, a borrifar para as opiniões alheias, para o conceito de parece mal, para o que os outros irão dizer e pensar...
Sei que muitos me acham estranha (até mesmo esquisita), porque falo sozinha, porque almoço uma sandes em meia hora (para não parar o trabalho) e para poder vir mais cedo para casa com os meus, porque me levanto às 5h30 da manhã (e não entendem para quê!), porque mudei um filho de escola no último ano da escola primária (porque ele não estava feliz naquela escola e achei que 1 ano eram 365 dias de tristeza e lágrimas que eu poderia evitar) e fiquei mal vista perante a sociedade desta terra onde moro e toda a comunidade educativa daquele estabelecimento de ensino... sei que olham de lado para mim porque teimo em não ter empregada em casa, porque prefiro 1000 vezes a companhia dos meus alunos à companhia de muitos adultos, porque ando sempre com um livro na mão, porque prefiro sair para jantar com os meus filhos e marido do que sair, no dia da mulher, com um bando de histéricas, porque gosto de comprar roupa mas não dou importância a marcas e não sou uma fashion victim... sei que se riem nas minhas costas e me olham como se fosse uma pateta porque acredito em Deus, porque professo a minha fé, porque não tenho vergonha de a assumir, porque vou à missa (e às vezes até gosto), porque leio na missa e gosto, porque os meus filhos vão à catequese e dou tanta importância ao lado espiritual deles como ao conhecimento científico, também noto (não pensem que não) um arzinho sempre trocista quando me perguntam: "então e este fim-de-semana cozinhaste muito? que fizeste?" - porque sabem que gosto de cozinhar para os meus e porque também sou feliz entre tachos e panelas ao invés de passar a tarde no café ou às voltinhas pelo shopping... mas depois há outras pessoas, diferentes destas mas não melhores, que olham para mim com ar de caso e  um misto de espanto e dúvida quando digo que sou eu que arrumo a casa, que sou eu que lavo as janelas e passo a ferro, que sou mesmo eu que faço as compotas, doces e bolos para a catequese, festas da escola, escuteiros e festas de aniversário e passo-me um bocadinho, juro, quando vejo essas pessoas olharem para mim (e para as minhas unhas) de lado quando digo isto e ver naquelas caras aquele ar: "deve ser deve... com essas unhas e esse cabelo arranjado deves ser mesmo tu que fazes essas coisas todas"... muitas vezes não ficam pelo olhar: expressam em voz alta os seus comentários (e magoa!)... porque para certas pessoas a pessoa que vai correr pela manhã, que também vai ao cabeleireiro todas as semanas, que pinta as unhas não é nem pode ser compatível com a outra que cozinha, lava e passa, que é mãe, filha, esposa, amiga e professora ou que brinca no parque infantil com os filhos (os meus e os delas) chegando a casa suja, mas feliz, de tanto rir e correr e andar de baloiço e escorrega... E é por isso que há dias, como hoje, que apesar do frio que está, eu vou lá fora, ler e apanhar ar... que desligo o telemóvel, me isolo e fecho ao mundo exterior... é por isso ainda que muitas e muitas vezes a minha vida é trabalho, alunos, casa, filhos, marido, mãe e os meus livros, os meus estudos, as minhas coisas... cada vez tenho menos paciência, cada vez me aborreço mais, cada vez me canso mais e é isso também que me entristece às vezes: que, com o tempo, eu deixe de entender certas pessoas e de tentar, que com o tempo eu deixe de lhes dar atenção, deixe de as querer ver e pior, que deixe de lhes sentir a falta, que aprenda a viver sem elas, que aprenda, eu mesma a ver-me como uma pessoa "esquisita"... e simplesmente não me rale!!




6 comentários:

  1. parece que o meu comentário não entrou. vou repetir: qual seria o problema disso? de não te ralares? Porque é que seria um problema? e para quem é que seria um problema? és mais feliz ralando-te?

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  2. Só tens de te perguntar porque te afastaste. Com certeza não foi por te sentires compreendida e amada. Bj

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  3. Querida! Se a menina se sente "esquisita" por ser assim, então já somos duas... Só não vou à missa, de resto... sempre fiz o que muito bem quis e estive-me sempre borrifando para o que os outros pensassem de mim. E assim continuo, graças ao Senhor...

    Se o menino não estava bem naquela escola, claro que fez muito bem em mudá-lo! Era o que mais faltava estar a dar razão aos outros.

    Menina: nas tintas para os outros! E o resto é conversa! (Se precisar de mim para alguma coisa, diga...)

    Beijinhos

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  4. O importante é estares feliz contigo mesma e com os teus. Não se consegue agradar a todos. Também sou tida como esquisita para algumas pessoas, porque faço apenas o que gosto e com quem me sinta bem, nunca fui de fazer as coisas só porque sim ou para agradar a outros. E concordo com o teres trocado o menino de escola, eu faria o mesmo.
    Sê feliz,o resto não importa para nada :)

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  5. Depois de ler este texto ainda fiquei com mais certeza de que, para mim, és uma grande mulher.
    Segue o coração e esquece quem não te faz bem.
    Sê feliz!
    Bjs

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  6. Revejo-me em muitas das tuas palavras. É o que acontece quando não nos sentimos compreendidas... mas acredito que tudo acabará por passar, sobretudo esse teu sentimento de estranheza que não me parece ter nada de estranho :) As pessoas que escolhemos para ter ao nosso lado são as que realmente importam.
    Um beijinho

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