terça-feira, 30 de abril de 2013

recuperação


"Não mostre ao seu Deus o tamanho do seu problema, mostre ao seu problema o tamanho do seu Deus" - sempre gostei desta frase. Nos primeiros dias não foi fácil... vim carente, triste, com o lado psicológico meio afectado... acho que depois da operação, e nos dias que se seguiram a ela principalmente, algo se modificou em mim... ainda não verbalizei isto mas ainda não durmo bem à noite. Tive medo. Pois tive... mais depois do que antes. Quando acordei as dores eram tantas (mas tantas e tão insuportáveis) que quando finalmente consegui falar, e ouvi a minha voz  tão rouca e tão baixinha, como um sopro,  me rolaram duas lágrimas pela cara pois pensei que o pior tinha realmente acontecido. {Um dos riscos da cirurgia era a voz ficar afectada (imaginam uma explicadora de matemática a ficar sem voz praticamente nenhuma?)}. Tive tanto medo nessa altura... senti-me tão sozinha naquele momento: com dores, sem voz, sem me poder mexer e sem ninguém que desse a mão. Foram horas de aflição. Dormi, acordei, deram-me medicamentos para as dores e a voz rouca, tipo sopro, quase imperceptível... Os dias seguintes foram determinantes e foi com alívio que vi a minha voz voltar, aos poucos, mas o medo, o susto e a aflição ficaram lá e deixaram a sua marca... 

Nestes dias em que estive internada perdi  também a minha ex-aluna e amiga que estava no hospital; 26 anos e uma vida perdida no auge; 26 anos de uma pessoa que amou a vida como ninguém, que viveu como nenhuma outra; 26 anos  assim, arrebatados... perdidos. Doeu-me tanto quando me contaram ... eu internada e sem te poder dizer adeus minha amiga... eu internada e  a mandar-te mensagens,  todos os dias de manhã e à noite, para te dar força e para te dizer que te amava e  sem saber que já não conseguias sequer pegar no telemóvel ... eu ali, internada e com medo, e tu valente, resistente e lutadora até ao fim. 




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