sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Absolutamente genial :D

Depois da liga do leite materno, das audazes inimigas da depilação enquanto símbolo da machocracia castradora e das amantes das mamas à solta, agora descubro a última bandeira do pós-feminismo: a copa menstrual. Eu, que vivia na mais absoluta e escura ignorância em relação aos meus líquidos menstruais, fiquei a saber pelos foruns de gajas, páginas do facebook e vídeos no youtube, que “o natural” não é andar com tampões que sequestram o nosso amado sangue, não, “o natural” é pôr um copo de silicone na vagina (eu escrevi vagina?), enchê-lo (até à marquinha que se vê na foto) e depois ir despejando o fruto da nossa femininade nas casas de banho públicas. “O NATURAL”. Essa parece ser a nova exigência sobre o nosso corpo, a essência da uber-mulher. A uber-mulher é uma fêmea antes de tudo, não tem vergonha de ovular, menstruar ou de limpar a copa menstrual na casa de banho da discoteca às 3 da manhã; a uber-mulher não tem medo do sangue, ele é o resumo, o símbolo da sua natureza de mãe, animal, mamífera; a uber-mullher dorme com os filhos na mesma cama sem preconceitos ou cuecas; a uber-mulher tem umas mamas que balançam, saltitam e cedem à força da gravidade livremente, felizes por terem sido arrancadas ao jugo da tenebrosa sociedade patriarcal; aliás, as mamas da uber-mulher nem sequer lhe pertencem, são dos filhos que nelas encontram aconchego e comida sem restrições horárias ou físicas. Porque é natural. Porque assim está escrito no baloiçar dos ramos das árvores, no sussurro do vento, nos cheiros ancestrais da terra. A uber-mulher é tudo aquilo que eu nunca serei, a suprema sacerdotisa do grelo que rejeita as madeixas e a pedicura (haverá alguma coisa mais natural que um calo?). Contam as usuárias da copa que é comodíssima, que se pode andar a cavalo e de bicicleta, tomar banho na piscina, escalar o Everest ou escrever um best-seller, que traz uma poupança considerável ao orçamento familiar (dura anos e anos, como as pilhas duracell) e que é amiga do ambiente. Só é chato, dizem, quando faz vácuo. Ou se entorna. Ou quando fica amarela. Ou cheira mal. Também há algumas que não a encontram lá dentro. Minúcias, para uma uber-mulher, claro. Eu só de imaginar-me na casa de banho comunitária do meu trabalho com a copa cheia de sangue na mão, a fazer malabarismos para não me sujar e a tentar lavá-la na bacia enquanto a secretária do meu chefe me olha atónita ou directamente vomita, é razão suficiente para continuar oprimida pela tirania do tampão que impede que os meus fluidos circulem livremente. Tanta naturalidade só me faria escrava do meu corpo 24 horas por dia. Obrigadinha, mas não.




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