sábado, 19 de abril de 2014

Família


Longe de casa e da terra que me viu nascer, longe dos amigos de infância e de adolescência, vim morar, há já 24 anos, para uma terra nova à qual (diga-se de passagem) me custou, e muito, a adaptar. Fazer amigos aos 17 anos e aos 18 não é como estar com os nossos amigos de infância... há qualquer coisa que falta e que falha... falham as origens, falham as vivências, as brincadeiras de escola, as partilhas e as cumplicidades... falta a história que faz parte da nossa história, aquela que se constrói ano após ano e se faz de segredos e noites de insónia, de horas e horas ao telefone a falar de tudo e de nada. Quando chegamos pela primeira vez a um sítio onde todos já se conhecem, não é fácil inserir e passar a fazer parte do grupo e, quando se consegue, nunca é igual e nunca é uma entrega total e definitiva. Nunca é uma amizade igual às que construímos desde a infância. Tentamos. Mas não é igual. Fazemos novos conhecidos, novas "amizades" mas não há profundidade. Não há entrega. Somos adultos agora e quando somos adultos protegemo-nos mais, escondemos mais, vedamos partes de nós que consideramos fraquezas e queremos preservar-nos. Não há amizade que cresça e se fortaleça sem entrega e sem dedicação, sem conteúdo e sem confiança total. Mas os adultos são desconfiados (e muitas vezes com razão) e desenvolvemos anticorpos que nos protegem (em virtude de situações anteriores) de voltar a dar de nós cegamente e a confiar em plenitude. 

Tenho uma amiga que não é de infância mas que foi feita quando me mudei para cá, há 24 anos atrás. É a minha melhor amiga. É mais que isso. É minha irmã. Meu tudo. 
A minha Marta, que sabe tudo de mim e ainda assim me adora. A minha irmã que está longe e que por estar a km e km de distância me faz falta... tanta falta. Tenho pena de estarmos tão longe. Tenho pena de não ter por perto a minha melhor amiga. Faz falta, no final de cada dia, em cada manhã e em cada momento em que precisamos uma da outra. Nem que seja só para falar de coisas simples e triviais. Tenho muitas pessoas na minha vida, conheço muita gente, mas ter a nossa melhor amiga por perto, a nossa irmã, é diferente.

Porque a minha Marta é mais que uma amiga: é família. E família é a palavra mais bonita de todas e deve ser também o maior elogio que podemos fazer a alguém: chamar ou ter alguém que nos chame: família.











6 comentários:

  1. Sem me ter mudado como tu também tenho uma amiga assim...e não há nada melhor do que "adoptar" uma irmã que nos acompanha para a vida =)

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  2. Amigos verdadeiros são preciosos!!!
    Hoje passo especialmente para desejar Páscoa feliz de paz, amor e renovação!
    Bjs
    Maria

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  3. Um belo texto de homenagem a alguém que é especial. E quando encontramos pessoas assim, devemos conservá-las sempre num local especial do nosso coração.

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  4. O que escreveu podia ter sido escrito por mim:) Desejo-lhe uma Páscoa cheia de alegria e em familia! Um abraço, Manuela

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  5. bolas temos algo em comum, e ao ler este texto senti-me retratada... eu tambem saí de casa tinha 17 anos e tive de recomeçar a vida novamente... por aqui tenho amigos, poucos mas bons, mas nao tenho aquela amiga especial, aquela amiga irmã, aquela familia... beijinho e boa pascoa

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  6. Sem dúvida que é das coisas mais bonitas desta vida, daí que custa tanto estar longe...

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