quarta-feira, 25 de junho de 2014

chegou ao fim mais um ano. férias.

Mais um ano e mais uma caminhada de final de ano com apenas alguns dos alunos mais velhos  vou ter saudades 

Esta caminhada que fazemos, no final de cada ano, não é nem nunca foi apenas uma simples caminhada... na verdade, ela sempre teve um sentido metafórico e sei que, muitos de vocês, mesmo sem o dizerem já o sentiram e entenderam. 
Nesta caminhada, cada um de nós carrega consigo (seja na mochila, nas mãos, nos bolsos ou no coração) as suas próprias dúvidas, os seus receios e ansiedades, os sonhos e desejos mais profundos; nesta caminhada trazemos connosco, agarrado à pele e à alma, um ano inteiro de vivências, de metas, de objectivos (uns cumpridos e outros apenas adiados), trazemos os amigos e trazemos tudo de nós e, ao caminhar – umas vezes em silêncio, outros rindo e conversando - vamos aliviando o fardo, vamos deixando para trás este último ano e preparando caminho para algo novo; O final de cada ano traz sempre com ele a esperança dos novos recomeços, o fim necessário de um ciclo e a certeza absoluta de que outro, novinho em folha, nos vai ser dado para escrever... meio ano passado deste 2014 e convido-vos a fazer a revisão à matéria dada e em jeito de balanço, convido-vos a reflectir: “que coisas novas e boas vivi ao longo deste ano? Que lições tirei? Que aprendizagens fiz? Que amigos ganhei? Quantos perdi? O que preciso mudar? O que preciso aprender?
Da minha parte aprendi que a vida é aquilo que é. Nem mais nem menos. Simple as that. Que na vida é preciso aprender a suportar e a aceitar: que há coisas que não controlo, que há coisas que não dependem de mim, que há coisas que não são diretamente proporcionais nem ao meu trabalho e nem ao meu esforço, que há amigos que perdi definitivamente e outros que inesperadamente ganhei, que não, a vida não é justa (e o que é realmente a justiça?) nem perfeita (e que graça teria se fosse?), aprendi que sou mais feliz do que sabia e que tenho mais do que pensava! Aprendi que ser feliz com o que tenho não é a mesma coisa que viver conformada com o que tenho, que ser feliz com o que a vida me dá não é sinónimo de falta de ambição, mas sim de gratidão, e aprendi que a vida, na sua imensa sabedoria, me dá primeiro aquilo que mais preciso para ser feliz antes de me dar aquilo que eu mais quero. (e é este o verdadeiro sentido de saber viver: nem sempre o que eu quero hoje é aquilo que seria melhor para mim no futuro... eu até posso achar que sim mas, se eu pudesse visualizar à distância o meu futuro iria descobrir muitas vezes o quanto, de facto, estava enganada!)

O que vos desejo? 
Que Deus e todo o Universo vos dêem a graça de ser e saber ser. Que não vos seja dado um caminho sem pedras mas a capacidade de as contornar, que não vos sejam dados mapas ou bússolas para o caminho mas criatividade para o saber reconhecer e humildade para o saber escolher. Não vos desejo coisas para ter ou possuir mas coisas que não sendo tangíveis de agarrar ou tocar vos enriqueçam a cada momento e façam de vós pessoas melhores... que ao olharem para as vossas mãos aparentemente vazias vejam que elas têm tudo o que precisam para construir o futuro. 
Que a luz de cada dia vos seja dada e que a clareza do vosso coração vos permita encarar cada tempo como uma nova oportunidade para agarrar esta vida que é vossa por direito. Que cuidem de vós, que se respeitem e respeitem os outros, que haja amor, verdade e altruísmo em vós... que a dor dos outros vos toque e que saibam ver em cada ser humano uma continuidade de vós mesmos. Que acreditem sempre em cada dia no poder da vossa decisão e que mesmo quando as coisas não correm como querem, ou essencialmente nessas alturas, saibam manter a fé e acreditar que tudo, mas mesmo tudo tem um sentido e uma razão para ser como é. Peço-vos que a cada dia sejam tudo, que de cada dia extraiam só o melhor e que da vida não levem só metade... aprendam a receber cada dia como um dom e a acolher a vida como a oportunidade que ela é. Hoje, ao longo do caminho, recordem sempre com carinho quem nunca vos abandonou... recordem com sentida amizade quem ao vosso lado sempre caminhou.








2 comentários:

  1. obrigada por esta reflexão tão sentida!

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  2. Não podia ter escrito melhor. Sem dúvida que as tuas palavras são uma inspiração.

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