sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Bom dia




Cada vez oiço mais a frase "não tenho tempo" atravessada por outra de igual valor: "o tempo voa!".
Penso que o que nos falta efetivamente é tempo para estar. Pascal dizia que a infelicidade do ser humano residia na nossa incapacidade de conseguirmos estar num lugar. Queremos viver 7 dias num só, estar em todo o lado ao mesmo tempo, passamos os dias desencontrados e ansiosos, ofegantes e frustrados! Falta-nos tempo para estar, porque estar implica parar e nós não temos tempo para perder... Contudo, sabemos que há uma relação entre a qualidade do tempo que damos aos outros e a qualidade das relações que estabelecemos com os outros ... Só quando estamos presentes podemos apropriar-nos verdadeiramente do significado da caminhada que deveria ser intrínseca a cada um de nós... É fácil sermos uns desconhecidos até mesmo para nós próprios! Basta não termos tempo, basta não estarmos verdadeiramente connosco. Precisamos aprender a conjugar o verbo estar. O verbo parar. O verbo ficar. Sim é isso que precisamos: precisamos aprender a parar! 
É preciso que nos demoremos e nos dediquemos a nós e aos outros! Não acredito nas amizades com pressa. Não acredito nas amizades sem tempo ... Como podem elas resistir ao dia a dia, ao corre corre, à ausência ? Se nos ausentamos de nós como podemos encontrar o outro? Como podemos conhecê-lo ou entendê-lo se não temos tempo? Se consideramos mal empregue o tempo que paramos para olhar e escutar alguém? O Principezinho dizia nesse seu diálogo cada vez mais atual "foi o tempo que perdeste com a tua rosa, a cuidar e a olhar para ela, que a tornou tão importante e especial para ti!" com efeito é disso que precisamos: de parar e perder tempo! Ficando verdadeiramente por ali, sem pressas, sem outra preocupação que não seja a de estar ali, passando algum tempo a sós connosco primeiro para depois estarmos sinceramente com os outros... 

1 comentário:

  1. Tens tanta razão, e por muito que saibamos disso, a verdade é que nem sempre agimos dessa forma, por vezes esquecemo-nos disso mesmo.

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