terça-feira, 4 de agosto de 2015

* do dia de hoje




As maiores dores, são as que nos levam as nossas pessoas sem que às vezes tenhamos tempo de lhes dizer adeus ou o quanto as amávamos e eram tudo na nossa vida. As maiores dores são as que nos fazem sentir impotentes perante a dor dos que nos são queridos, é ver os meus miúdos - estes filhos do coração que considero tão meus - passar por uma dor que conheço tão bem e não ser capaz de a apaziguar, de roubar metade para mim só para os poupar, a eles, à saudade que fica e ao silêncio que dói. Esse silêncio que se instala em nós quando nos levam parte da vida sem aviso prévio. O silêncio esmagador e ensurdecedor que se abate por cima de nós pela noite fora, um silêncio que é feito de escuridão e de ausência... Nestes momentos, em que as palavras pouco mais valem que nada, resta-nos a esperança que reconcilia e o amor que nos une ... Ficam as recordações e as lembranças construídas ao longo de toda uma vida e a certeza de que cada etapa foi cumprida ao longo do caminho. Resta-nos estar presentes na vida uns dos outros. Valorizar cada momento, cada pessoa, cada gesto! Na brevidade dos dias que correm precisamos olhar uns pelos outros, estar verdadeiramente na vida uns dos outros, porque talvez só assim, ao percebermos a nossa finitude e a importância que cada um tem neste espaço que partilhamos entre todos, poderemos fazer sentido e dar sentido ao nosso caminho. Só assim podemos ambicionar acabar com o silêncio que fica após cada despedida, preenchendo-o com pedaços sentidos de "nós". Não apenas tu. Não apenas eu. Mas verdadeiramente "nós".



* para ti André




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