domingo, 25 de outubro de 2015

dos nossos silêncios ...

«Aceitar, aceitar – que exercício tão difícil. Aceitar a noite e o nada, o silêncio e a demora, aceitar a graça e a fraqueza, a diferenciação e o desapego. De tudo fazer caminho. Aceitar ver o todo apenas na parte, na visão incompleta, no gesto inacabado. A ansiedade de dominar é um equívoco. A companhia é outra coisa:
- é aceitar que tudo é passagem, epifania, revelação que não se toca. E, por fim, a partilha do silêncio. Como é que percebemos que duas pessoas se acompanham? Pela forma como conversam? Certamente. Mas talvez ainda mais pela forma como acolhem o silêncio uma da outra.
Entre conhecidos o silêncio é um embaraço, sentimos imediatamente a necessidade de fazer conversa. Mas quando nos acompanhamos, o silêncio é uma compreensão que une.»

«que coisa são as nuvens» – de josé tolentino mendonça



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