quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Janeiro I 13








Chegar aos 42 anos com a paz que tanto tenho procurado. Sentir aquela sensação de que estou onde devia estar, que a vida corre o seu rumo certo, sem dúvidas...serena. Olho para trás e gosto da pessoa que sou, da marca que fui deixando impressa nos outros, na marca que permiti que deixassem em mim... gosto de me ver e sentir que me deixei tocar, que nem sempre fui esquiva, quem nem sempre me escondi com medo do desconhecido... Nunca fui pessoa de muitas pessoas. Nunca fui da multidão, da confusão, do alarido... sempre fui da paz, do silêncio que a noite me dá, da paz que me empresta o mar ou da solidão tão bem escolhida da minha própria companhia... hoje, com 42 anos (quase, quase 43) sinto que o que gosto mesmo é das pessoas, de estar com elas, de falar com elas ... sinto que me fazem falta, que gosto de as ver sorrir à minha volta e que sou mais feliz por ter comigo todos estes que me rodeiam, todos estes que vou permitindo que se aproximem de mim sem os afastar com as velhas resistências de outros tempos... com o tempo descubro que há uma riqueza que mora em mim e outra que mora ali, mesmo ao meu lado, todos os dias, ao alcance da minha mão. Com o tempo entendo que os tesouros mais profundos são os que trago comigo e que tantas vezes afastei por medo de me prender, de me expor e de me entregar ... aos 42 anos regresso, por fim, a mim mesma, como quem chega de um país distante, como quem regressa à sua cidade depois de anos de afastamento, como quem entra em casa pela primeira vez, olha em volta e se reconhece como um estrangeiro na sua própria vida.

2 comentários:

  1. é tão bom estar certa e feliz com as opções que vamos tomando ao longo da vida :)

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