quinta-feira, 14 de abril de 2016

Etapa 5 - Caldas de Reis a Padrón

Vivemos ao longo dos dias um misto de sentimentos. Primeiro vem a vontade de pôr o pé na estrada e começar, depois vem o final da primeira etapa e a sensação de "consegui? a sério? 20 km já estão?". Mais tarde, e com o terceiro dia, chega a nostalgia de estar a meio da etapa e quase, quase a deixar para trás estes dias e finalmente, na quinta etapa uma alegria e uma ansiedade inexplicáveis. A dada altura só pensava: "amanhã a esta hora estou a chegar a Santiago..." e "será que aguento 25 km no estado em que estou?" - a lesão na perna direita persistia e embora continuasse sem bolhas nos pés, o que já por si era motivo de alegria, tinha alguns receios devido à dor na perna que tornava cada troço da minha caminhada tão mais penoso;

A etapa foi mais uma vez lindíssima (como aliás se pode ver no video abaixo, embora ele seja muito muito pequenino para tanta coisa bonita que vi!). Nesta etapa conheci imensos peregrinos pelo caminho e estreitei laços com muitos deles. Ao longo dos dias senti sempre o carinho e a força do sorriso certo no momento oportuno quer por parte dos outros peregrinos quer por parte dos habitantes. Pelas ruas, nos cafés ou em qualquer outro lado por onde passasse havia sempre alguém que gritava: "peregrinos... bon camino" 
heart emoticon
Por momentos esquecemos as dores, caminhamos a um ritmo só nosso, centrados nos nossos sonhos e pensamentos e conversando connosco, em silêncio. Paramos aqui e ali, de hora a hora, 10 minutos, para esticar as pernas e beber água, para repor energias, selar a credencial e matar saudades de casa. Confesso aqui a minha maior dor (maior que todas as dores nos pés ou nas pernas): as saudades de abraçar os meus filhos. Será sempre o que mais me custa ao partir: deixá-los.

Chegámos, contra todas as minhas expetativas, cedo a Padrón. Havia festa e estava tudo muito animado. Fui recebida com muita alegria por um grupo de peregrinos de Madrid que estavam já numa esplanada a descansar e que diziam entre si: "são os portugueses..." e sorriam e diziam "holá", convidando-nos a sentar com eles. Juntos traçámos o dia seguinte, acordar o mais cedo possível e seguir direto para Santiago a tempo de assistir à missa do peregrino (pelas 12h). Ficámos por ali algum tempo. Estava um sol espectacular e a alegria de quem está quase a chegar ao destino motivava-nos a todos. 
Cada um de nós sabia, no entanto, que chegar a Santiago não era o fim de um caminho nem a finalização de mais uma etapa mas sim o início de um outro caminho e de uma nova etapa, mais interior e profunda, e que marcava o início de uma nova vida. 
Ficámos todos juntos no mesmo albergue, no cimo de uma colina, e com vista da varanda para o Convento de La Carmen. Nessa noite deitei-me ainda mais cedo, adormeci a pensar na minha chegada a Santiago e com uma lágrima teimosa nos olhos. No coração as saudades dos meus e na alma uma sensação de conquista sobre mim mesma.










2 comentários:

  1. Deve ser uma experiência maravilhosa :)

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  2. Green obrigada por cada comentário ... és uma querida <3
    já se vêem as fotos todas???

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