sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Caminho Primitivo de Santiago - os primeiros dias (I)



Todo o Caminho é um exercício de paciência e silêncio.

O turista viaja. O andarilho anda. O peregrino busca!






Chegar às Astúrias foi fácil e rápido. Uma viagem simples e sem sobressaltos. O aeroporto é pequenino, quase deserto. Dali apanhámos autocarro para Gijón e demos início à aventura caminhando pela cidade, que tem um núcleo histórico lindíssimo, situada à beira-mar e com uma vista esmagadora sobre o azul do Mar Cantábrico.



  
Estava dado o pontapé de saída. Agora já não podíamos voltar atrás. De Gijón seguimos para Oviedo - a capital do Caminho Primitivo com a sua fantástica Catedral de El Salvador. A cidade de Oviedo está entre as cinco cidades espanholas que apresentam os menores índices de poluição atmosférica. É conhecida pela limpeza das ruas do seu centro histórico e está dotada de vários espaços verdes, dos quais se destaca o Campo de San Francisco, no centro da cidade. Logo à chegada o que mais me impressionou foram as enormes estátuas espalhadas pelo centro de Oviedo e o facto de, às dez da noite, ainda ser de dia. Decidimos ficar dois dias em Oviedo para podermos explorar a cidade e nos prepararmos psicologicamente para as etapas mais duras que estavam a chegar (embora nós, a esta altura, não imaginássemos o quão duras iriam ser de facto!!).























Saída de Oviedo e chegada ao Albergue de San Juan de Villapanda










Neste dia passei logo por uma experiência pela qual, em Março quando fiz o Caminho Português, não passei: chegar ao Albergue e não ter lugar para dormir. Passado o susto inicial e a hipótese aterradora de ter que andar mais 9km (depois de ter já andado 33km) o assunto resolveu-se porque o Sr. Domingo Ugarte (o hospitaleiro deste Albergue) nos providenciou dois colchões na cozinha para que pudéssemos descansar durante a noite. No final deste dia - duríssimo - chegar a San Juan, tomar banho e poder descansar foi uma bênção (mesmo que fosse numa cama improvisada no chão da cozinha!). Talvez tenha sido esta a primeira lição que o caminho me deu. Uma lição que acaba por ser aplicável a tantas, tantas coisas na nossa vida. Perante as adversidades aprendes a relevar, a contornar e a descontrair. Focas-te apenas no essencial e agradeces, de coração, o tanto que, no meio do inesperado, a vida te dá e a criatividade com que põe as pessoas certas, na altura certa, no teu caminho. 


Este primeiro dia foi muito especial e marcou, para mim, o verdadeiro início desta peregrinação. O grupo de peregrinos que estavam nessa noite no Albergue eram também muito animados e simpáticos e alguns deles, sem que eu ainda o pudesse antever, viriam a tornar-se felizes e fundamentais companhias ao longo dos próximos dias.



2 comentários:

  1. Que encontre tudo o que procura nessa caminhada e que corra tudo bem.
    Beijinhos
    Rosinha

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