sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Caminho Primitivo de Santiago - Preparativos


Depois de em Março termos feito ao Caminho e colocado o pé na estrada pela primeira vez rumo a Santiago deixámos no ar a ideia de voltar a repetir a aventura desta vez através de uma outra rota; A escolhida seria, agora, a Rota Primitiva (ou a Caminho Primitivo, como preferirem). Agendámos a aventura para o final da época de exames e decidimos que partiríamos de avião para as Astúrias e dali seguiríamos até Gijón. E assim foi. Dia 26 de Junho apanhámos o autocarro para Lisboa e dali o avião que nos levaria até às Astúrias.








“Caminham em filas ao lado das estradas nacionais, por trilhos de terra batida, atravessando pequenos povoados que antes desconheciam, cruzando, horas e horas, a paisagem de giestas e silêncio. Experimentam uma espécie de nomadismo: não se demoram em parte alguma, comem ao sabor da própria jornada, dormem aqui e ali. Num tempo ferozmente cioso da produção e do consumo, eles são um elogio da frugalidade e do dom. Estes peregrinos que tornam a encher as estradas de Fátima (mas também de Santiago, de Chartres, do Loreto…) assinalam-nos o dever de buscar a estrada luminosa da própria vida. 
A parte mais importante dos quilómetros que percorrem não está em nenhum mapa: eles caminham para um centro invisível onde pode acontecer o encontro e o renascimento.”

in “O Hipopótamo de Deus”, José Tolentino Mendonça




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