segunda-feira, 15 de maio de 2017

13 de maio


Este fim de semana foi, como para todos os portugueses, épico. Não me refiro só ao Benfica nem ao nosso Salvador Sobral (que nos encheu o peito de orgulho) mas também à visita do Papa Francisco e do que significou para nós, que moramos em Fátima, ter os 2 santos mais novos da história no altar da nossa Basílica. Por aqui a excitação começou dia 12. Como em todos os dias 12 não houve aulas e então, em conjunto, decorámos varandas, recolhemos flores e assistimos da nossa janela aos grupos que iam chegando a Fátima. Visivelmente cansados, mas com uma força que só quem é peregrino entende de onde vem, cantam e rezam à Virgem "mais brilhante que o sol". Alguns batem palmas por terem conseguido chegar, outros choram e abraçam-se e eu comovo-me sempre. Sempre. Depois das varandas decoradas fomos para a rua, para o meio da multidão, para podermos guardar lugar e sentir de perto todas estas emoções. Ali, na nossa rua, passaria Francisco e eu, que nunca tinha visto um Papa ao vivo, parecia uma criança aos pulinhos, excitada e indecisa sobre qual seria o melhor lugar para o ver de perto. Durante 3h ali fiquei com o meu filho mais velho, colados às grades que nos separavam da estrada. Ficaríamos outras tantas horas se fosse preciso. Valeu a pena. Valeu tanto a pena. Com toda a serenidade, de sorriso nos lábios, acenando a todos nós com alegria (apesar do cansaço da viagem e da idade) este Francisco cativou todos os que ali estavam só para o ver de perto e acenar. Dali seguiu para a Capelinha das Aparições onde o aguardavam milhares de fiéis e 150 crianças dos nossos colégios. Rezaram juntos. Respeitaram o silêncio que pautou o diálogo entre Francisco e a Mãe de Deus e, no fim, puderam abraçar carinhosamente o Papa que há tanto aguardavam. "Nunca mais vou esquecer este dia" dizia a minha filha. Foram momentos tão bonitos quando ele se aproximou deles e foi invadido por tantas mãos pequeninas e por tantos abraços. O que gosto mais nele (para além de tudo o que já me fazia admirá-lo) é a simplicidade com que se aproxima dos mais pequeninos. O olhar dele ilumina-se,fica feliz, deixa-se tocar e abraçar. Francisco olha cada um deles com imensa ternura. Olha-os nos olhos e sorri porque reconhece neles e na pureza dos seus corações um pedacinho do céu. Nessa noite assisti, com os meus filhos, à procissão das velas mais bonita de todas. Milhares de luzinhas, de lágrimas, de sorrisos, de pedidos, de agradecimentos iluminaram esta noite. Não consigo traduzir o que senti e o que ainda sinto. Não há palavras. O amor é uma equação com variáveis infinitas. Não há uma maneira certa de o escrever nem de o dizer. Vagueei pelo Santuário até às 1h30 e só não fiquei mais tempo porque começou a chover e o cansaço tomou conta de mim. Fiquei todo o tempo que pude porque quis "sentir" aquela força que só quem é peregrina, e vive o milagre do sol no coração, tem.  
No rosto de centenas de pessoas, com quem me cruzei naquele recinto, li a fé, a dor, as lágrimas mal contidas, a esperança e o amor... tanto amor e tanta gratidão. E quando os nossos olhares se cruzavam havia entre nós um entendimento profundo que dispensava palavras... Porque é também ali, naquele lugar, que quando preciso de paz o silêncio me encontra e traz consigo todas as respostas que me fazem falta. É também ali, que quando a vida me troca as voltas, eu peregrina, me ajoelho aos pés de Maria e me reconcilio comigo e com o meu coração. 


Entre tantas fotos possíveis e vídeos que podem ser vistos aqui deixo apenas esta (tirada pela minha filha) ... porque diz tudo.






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