domingo, 7 de maio de 2017

Porque isto da maternidade não é uma corrida ao pódio

Numa altura em que tanto se debate a maternidade e o significado de ser mãe (com todas as falhas, erros e acertos próprios da tarefa em si) fica o texto sempre lúcido de Isabel Saldanha.


"A minha mãe não é a melhor mãe do mundo. Eu, não sou a melhor mãe do mundo. E talvez um dos conselhos mais sensatos que eu tenho para dar às minhas duas irmãs que esperam bebé, é que elas não serão as melhores mães do mundo. Isto da maternidade não é uma corrida ao pódio.

Ninguém nasce diplomado. E mesmo aquelas que têm uma ideia fixa do que querem ser quando forem mães, não imaginam metade das variáveis que não dominarão no "fazer bonito" da função. E depois há todo o património negativo, entenda-se com isto, os pequenos senãos, uns quantos traumazinhos imputados e umas memórias que serviram de débito à adolescência em muita folha de diário. Mas mesmo o que nos faltou, tem uma importância tremenda no que somos. E uma mulher com uma boa auto estima tem grandes possibilidades de vir a ser uma mãe com menos culpa. Nunca se falou tanto sobre o tema, nunca a sociedade pareceu estar tão de acordo com a vulnerabilidade, equidade, fragilidade e outros “ades” da tarefa. Nunca houve tanto fórum, discussão aberta e frase de incentivo à customização individual da maternidade. E nunca vi as mães tão preocupadas como agora. Eu não sei se sou boa mãe, tenho ideia que sim. Mas não vou depender de uma caneca do dia 7 de Maio, nem de um desenho amoroso que o pai as obrigou a fazer, para acreditar nisso. Mesmo sabendo o quanto me enche cada gatafunho. 
Porque se depender disso, quando elas chegarem à adolescência altiva, e precisarem dos meus traumas, para lhes justificar as falências de carácter nas relações amorosas, estou lixada. Vão se as certezas de uma vida em esforço num esgar de acne e mau feitio. Ser mãe é uma aprendizagem contínua de uma responsabilidade tremenda. Um ser em formação educa a formação de um ser. Tem tudo para dar torto, e de uma forma ou de outra, sobretudo da nossa, a maioria das vezes, dá certo. E mesmo quando às vezes penso, que se voltasse atrás mudava algumas coisas, rio-me, porque não seria eu. Não faria esse esforço, nem teria essa capacidade. Elas vão ter que se contentar com esta mãe e eu vou-me contentado com as minhas filhas. E o nosso amor será um elogio à verdade de nós mesmas, mesmo naqueles dias nublados"




1 comentário:

  1. É tão interessante o texto, como a foto...
    Dias felizes.
    ~~~~~~

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